
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum
Foto: Isaac Esquivel/EPA
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, rejeitou, esta terça-feira, novamente qualquer hipótese de intervenção militar dos Estados Unidos no México, após o homólogo norte-americano se dispor a enviar tropas para combater os cartéis de droga.
"Disse-lhe sempre [a Donald Trump] que podemos colaborar, que podem ajudar-nos com a informação que têm, mas que operamos no nosso território, que não aceitamos a intervenção de nenhum Governo estrangeiro", afirmou com firmeza a chefe de Estado na conferência de imprensa matinal.
Sheinbaum explicou também que o tema não é novo e que o líder norte-americano fez sugestões semelhantes em várias conversas anteriores.
"Já mencionei isto muitas vezes nas minhas conversas telefónicas com o presidente Trump. Ele sugeriu em várias ocasiões, ou disse mesmo: 'Oferecemo-nos para qualquer intervenção militar dos Estados Unidos de que necessitem no México para combater os grupos criminosos'", observou.
No entanto, Sheinbaum reiterou que tanto o presidente norte-americano como membros do Governo e do Congresso, entre os quais o secretário de Estado, Marco Rubio, que visitou o México recentemente, foram informados da posição mexicana.
"Eles compreenderam -- tanto assim é que o entendimento que temos com eles é de cooperação e coordenação, e os primeiros pontos são muito claros: respeito da soberania, respeito da nossa integridade territorial, e que haja colaboração e coordenação sem subordinação", insistiu.
Recordou igualmente que, após essas conversas, o Governo dos Estados Unidos emitiu um comunicado no qual ficou claro que só interviriam no México se o país o solicitasse.
"Não vamos pedir. E não vamos pedir porque não queremos intervenções de qualquer Governo estrangeiro", sublinhou.
As declarações de Sheinbaum surgem um dia depois de Trump ter declarado que não "está satisfeito" com o combate do México ao tráfico de droga e não descarta um ataque aos cartéis que operam em ambos os lados da fronteira.
Desde 1 de setembro, as Forças Armadas norte-americanas destruíram cerca de 20 embarcações no mar das Caraíbas e no oceano Pacífico, perto da Venezuela e da Colômbia, executando extrajudicialmente pelo menos 83 pessoas, classificadas como "narcoterroristas", mas que eram, pelo menos parte delas, segundo fontes oficiais, "apenas pescadores".
Nos últimos meses, os setores conservadores dos Estados Unidos têm exercido pressão para uma resposta mais agressiva contra o tráfico de droga, enquanto o México insiste que a cooperação bilateral deve concentrar-se na partilha de informações, na redução do tráfico de armas e no respeito absoluto da soberania.
