Ministério Público da Polónia abre investigação por tráfico de pessoas e relacionada com caso Epstein

Foto: Departamento de Justiça dos EUA / AFP
O Ministério Público da Polónia abriu, esta quarta-feira, uma investigação por tráfico de seres humanos no âmbito da ligação de uma rede polaca com o criminoso sexual condenado nos EUA, Jeffrey Epstein.
"O início de uma investigação permite realizar diligências probatórias completas. Uma das primeiras decisões processuais será enviar pedidos de informação e provas a dois países europeus, no âmbito da Ordem Europeia de Investigação (OEI)", informou o Ministério Público polaco num comunicado.
O processo remonta ao passado dia 23 de fevereiro, quando o procurador Dariusz Korneluk designou uma equipa de investigação para levar a cabo as primeiras diligências sobre alegadas "atividades realizadas por um grupo criminoso internacional dedicado ao tráfico de seres humanos e a crimes contra a liberdade sexual" entre 2009 e 2019.
A investigação preliminar centrava-se numa alegada conspiração liderada por cidadãos polacos que, alegadamente, se dedicavam a "recrutar adultos e menores pelo engano", prometendo-lhes futuro emprego no estrangeiro, para depois organizar a sua transferência para fora do Estado da Polónia e entregá-los a terceiros "para fins de exploração sexual".
"Durante a investigação, os procuradores analisaram materiais publicados no site do Departamento de Justiça dos EUA, publicados ao abrigo da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. Os documentos analisados até agora indicam uma suspeita razoável da prática do crime de tráfico de pessoas, incluindo no território da Polónia", adianta o comunicado.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, afirmou recentemente que havia relatos apontando para uma alegada rede de tráfico sexual ligada a Epstein em Cracóvia, embora até à data não tenha sido encontrada qualquer referência a personalidades da elite polaca nos documentos, exceto do tenista Wojciech Fibak.
Os tentáculos do caso Epstein abalaram a cúpula política e social de numerosos países europeus, incluindo da Noruega e do Reino Unido.
O multimilionário americano foi detido em julho de 2019 por acusações de abuso sexual e tráfico de dezenas de meninas no início dos anos 2000.
