
Rachida Dati, ex-ministra da Cultura da França
Foto: Ludovic Marin / AFP
A conservadora Rachida Dati anunciou esta quarta-feira que apresentou a sua demissão ao presidente francês para deixar de ser ministra da Cultura e poder dedicar-se às eleições municipais de 15 e 22 de março, nas quais é candidata à Câmara Municipal de Paris.
O anúncio, feito numa entrevista no canal BFMTV, não foi uma surpresa, pois Dati já tinha adiantado em janeiro que iria deixar o cargo no ministério para se dedicar às municipais.
"A batalha da minha vida é Paris, digo aos parisienses que luto por eles e por Paris", declarou a dirigente de centro-direita, que figura entre as favoritas a suceder, na Hôtel de Ville de Paris, à socialista Anne Hidalgo, que não se candidata a uma segunda reeleição, após doze anos à frente da capital.
Numa nota, a Presidência francesa indicou que o presidente francês Emanuel Macron aceitou a demissão e agradeceu à até agora ministra da Cultura "a ação útil" que esta desempenhou durante os dois anos em que ocupou o cargo, que estiveram marcados por algumas polémicas e um processo judicial contra ela.
Entre as controvérsias, destaca-se a proposta de lei, ainda em tramitação parlamentar, para a reforma do setor audiovisual público em França, que pretende unir num único conglomerado televisão, rádio e arquivos públicos, para economizar custos.
A antiga ministra da Justiça sob a presidência de Nicolas Sarkozy (2007-12) realiza campanha na capital francesa sob a sombra de um julgamento contra ela e contra o antigo presidente da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn.
O processo, que se realizará em setembro de 2026, julgará Dati pelos crimes de corrupção e tráfico de influências passivas no exercício de cargos públicos, assim como pelos de encobrimento de abuso de poder e abuso de confiança.
O caso refere-se aos 900 mil euros que Dati, de 60 anos, recebeu da Renault-Nissan a título de consultoria jurídica entre 2010 e 2013, quando era eurodeputada.
A investigação, aberta após a denúncia que uma acionista da Renault apresentou perante o Ministério Público Nacional Financeiro (PNF) em 2019, considerou que esses pagamentos na realidade escondiam atividades de "lobby", que estão proibidas para os membros do Parlamento Europeu.
