Nicolás Maduro volta a tribunal em março e garante: "Não sou culpado. Sou um homem decente"

Transporte de Maduro foi altamente mediatizado
Foto: EPA
Nicolás Maduro apresentou-se em tribunal para ser confrontado com acusações de narcotráfico e recusou a acusação. Uma nova audiência foi marcada para 17 de março.
"Fui raptado e sou presidente do meu país". Foi assim que Nicolás Maduro se apresentou hoje em tribunal, em Nova Iorque, depois da longa viagem entre o Palácio de Miraflores, em Caracas, no sábado à noite, e o tribunal em Manhattan, onde chegou de helicóptero e carro blindado, num cortejo altamente mediatizado, e em que foi exibido para as câmaras dos jornalistas.
Sobre as quatro acusações que recaem sobre si - conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e dois crimes ligados a armas - Maduro, de 63 anos, disse-se inocente. "Não sou culpado. Sou um homem decente", afirmou, com o advogado a explicar que o cliente se declarava inocente de todas as acusações da Justiça americana. O mesmo fez a mulher, Cilia Flores, de 69 anos. "Sou completamente inocente", garantiu.
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Mulher de Maduro "ferida"
O advogado de Flores, Mark E. Donnelly, revelou que a sua cliente sofreu "ferimentos graves" nas costelas durante a detenção pelas forças norte-americanas, realçando que vão apresentar a sua versão dos factos "no momento oportuno".
Sobre a operação militar para os deter, o tribunal e a acusação nada referiram, levando, depois, o representante legal de Maduro a referir que "há questões sobre a legalidade do sequestro militar" e a condição de chefe de Estado do venezuelano. Ainda assim, "neste momento", não iria procurar a libertação do cliente, mas isso talvez pudesse acontecer depois. Uma nova audiência foi marcada para 17 de março e, à saída, o presidente deposto da Venezuela afirmou ser "um prisioneiro de guerra".

Foto: Marcelo Garcia/AFP
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criou uma comissão para a libertação do líder deposto e da mulher. O organismo "de alto nível" vai ser liderado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Iván Gil. A ex-vice de Maduro afirmou que estava pronta para cooperar com Trump e defendeu uma relação equilibrada.
"Estendemos o convite ao Governo dos EUA para trabalharmos juntos numa agenda de cooperação voltada para o desenvolvimento partilhado", disse Rodríguez após presidir à primeira reunião do Conselho de Ministros.
Trump afirma estar disposto a trabalhar com o restante do governo Maduro, desde que os objetivos de Washington sejam atendidos: a abertura do acesso de investimentos americanos às reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do Mundo.
Nas ruas de Caracas, os opositores continuam em silêncio por medo de represálias e os protestos pró-Maduro têm sido pequenos.

