
Sanae Takaichi, primeira-ministra japonesa
Foto: Franck Robichon / EPA
A nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou esta sexta-feira que pretende elevar a relação com os EUA e apelou para um diálogo franco com a China, cujas atividades militares considerou serem preocupantes.
No primeiro discurso sobre a política geral do Governo no Parlamento, a líder conservadora de 64 anos, a primeira mulher no cargo no Japão, referiu também a importância da imigração face à escassez de mão-de-obra, embora admitindo as preocupações dos japoneses.
"A aliança nipo-americana continua a ser a pedra angular da nossa política externa e de segurança", afirmou Takaichi, num discurso regularmente pontuado por aplausos dos apoiantes, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
Takaichi disse que no encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, que é esperado no Japão na segunda-feira, vai procurar "elevar as relações nipo-americanas a novos patamares".
A nova dirigente era próxima do antigo primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em 2022, que procurou manter relações cordiais com Trump durante o primeiro mandato presidencial (2017-2021).
Crítica de longa data de Pequim, Takaichi defendeu um "diálogo franco" com a China, que descreveu como "um vizinho essencial" do Japão. Considerou, no entanto, que as "atividades militares" da China, da Coreia do Norte e da Rússia constituem "uma grave preocupação".
Ao nível da defesa, disse que pretende que o Japão aumente as despesas militares para 2% do produto interno bruto (PIB), por impulso dos Estados Unidos, antes do final de março, com dois anos de avanço.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês criticou o aumento do orçamento militar e o recente alívio das restrições às exportações de armamento por Tóquio. "Estas medidas suscitam inevitavelmente sérias dúvidas (...) quanto à real vontade do Japão de adotar uma postura exclusivamente defensiva", reagiu em Pequim o porta-voz da diplomacia chinesa Guo Jiakun.
Takaichi foi eleita no início de outubro líder do Partido Democrático Liberal (direita conservadora), com uma maioria relativa nas duas câmaras do parlamento, e assegurou a nomeação ao aliar-se com um pequeno partido reformista de centro-direita.
Na falta de uma maioria absoluta para a coligação na câmara baixa, terá de negociar com outras formações para fazer avançar o programa governamental.
