Uma América mais aberta a parcerias com a Europa, mais interventiva a promover a paz no Médio Oriente e na busca de respostas para a crise mundial. A comunidade internacional espera um Obama "decisivo".
Em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, falou em "momento decisivo de mudança" para o Mundo e apelou ao estreitamento das relações entre a Europa e os Estados Unidos, para "delinear e implementar uma nova agenda de globalização". O Alto Representante da União Europeia para as relações externas, Javier Solana, desejou que a presidência de Barack Obama "abra uma perspectiva mais multilateral, mais optimista e muito mais dinâmica para resolver os problemas".
A confiança estende-se ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que reiterou o "novo capítulo da história americana e da história do mundo". "Ele não só é o primeiro presidente negro norte-americano, como tem à partida a determinação para resolver os problemas do mundo".
A questão da crise financeira foi enfatizada pela chanceler alemã Angela Merkel, que disse esperar que Obama introduza princípios multilaterais e que os EUA, "no que se refere a acordos internacionais, coloquem a sua própria soberania ao dispor das organizações internacionais e aceitem regras internacionais para os mercados financeiros". Merkel aproveitou para advertir de novo os EUA para não caírem na tentação do proteccionismo, perante a crise global. Já Nicolas Sarkozy, presidente francês, desejou que Obama comece a trabalhar para "mudar o mundo" com ele.
Também o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enviou saudações, mas deixou o aviso. "Espero que as relações melhorem. Mas a revolução continua e continuará, não importa quem seja o novo presidente dos Estados Unidos", disse. Chávez não esqueceu o "adeus" ao ex-presidente dos EUA, George W. Bush: "Deve despedir-se (da presidência) com vergonha (...) foi o presidente com mais baixa popularidade em todo o mundo (...) Bye, Bye, Bush!".
Num telegrama enviado a Obama, o Papa Bento XVI expressou a confiança de que o novo presidente americano "se torne o promotor da cooperação entre as nações". E sublinhou que conta com ele para "construir uma sociedade mais justa".
Mais céptico, o chefe da diplomacia iraniana, Manouchehr Mottaki, declarou que Teerão prefere esperar pelas "acções políticas", uma a uma, para julgar das suas intenções a respeito do Irão e do Médio Oriente.
No plano nacional, José Sócrates sublinhou que Barack Obama poderá contar "com uma cooperação total" do Governo português. "Da parte do meu Governo pode contar com uma firme vontade de trabalhar em conjunto com os Estados Unidos da América e enfrentar os desafios com que hoje estamos confrontados", acrescentou. O primeiro-ministro pretende encontrar-se em breve com o novo chefe de Estado. O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, realçou o "marco histórico" e disse esperar "novo fôlego no plano internacional".
