
As orações foram realizadas nas cerca de 2100 mesquitas do Uzbequistão
Foto: Temur Ismailov/AFP
Os muçulmanos do Uzbequistão rezaram hoje para pedir chuva, num país assolado por secas que têm provocado grandes impactos e que está entre os mais poluídos do mundo.
As orações foram realizadas nas cerca de 2100 mesquitas do Uzbequistão, que tem 35 milhões de habitantes.
"Nunca tínhamos feito tais orações antes. Agora, como a chuva tarda em chegar, os responsáveis religiosos ordenaram-nos que fizéssemos esta oração para pedir a Deus que envie chuva", declarou à Agência France-Presse um participante nas preces, Abdourachid Rassoulov. "Rezámos pela bênção do nosso país e da nossa terra, e para que a chuva caia em abundância", afirmou outro crente, Anvar Abdouazizov.
Em Tashkent, capital do país, a seca é uma das mais severas dos últimos 170 anos, indicou no final de novembro a agência meteorológica oficial uzbeque.
Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), "as alterações climáticas levaram a um aumento das temperaturas médias anuais no Uzbequistão quase três vezes superior à média mundial ao longo das últimas seis décadas".
"Isto levou a secas mais frequentes, sendo que a temperatura média anual no Uzbequistão já aumentou 1,6 °C", observa o PNUMA.
As alterações climáticas aceleram o derretimento dos glaciares, que têm um papel crucial para os cerca de 80 milhões de habitantes desta região na Ásia Central em forte crescimento económico e demográfico.
Segundo as Nações Unidas e vários cientistas, estes glaciares poderão desaparecer completamente até ao final do século XXI.
Outra consequência provocada pelas alterações climáticas no Uzbequistão está relacionada com o aumento dos volumes de poeiras suspensas no ar, o que provoca forte poluição atmosférica e uma concentração extremamente elevada de partículas finas.
Este fenómeno, juntamente com o aquecimento a carvão e a gasolina de fraca qualidade, faz do Uzbequistão um dos países mais poluídos do mundo.
Na primavera, foram instaladas no país infraestruturas para provocar chuvas artificiais na vasta região desértica de Navoï, na zona central do Uzbequistão, com geradores que enviam eletrões para a atmosfera a fim de atrair moléculas de água.
As autoridades ponderam utilizar esta tecnologia e também a introdução de substâncias químicas nas nuvens para estimular a condensação do vapor de água, de forma a fazer cair chuva e reduzir a poluição, embora tenham custos elevados e potenciais riscos de poluição ambiental.
