
"É importante destacar que a maioria dos americanos considera este comportamento muito problemático", referiu o antigo chefe de Estado
Foto: Mandel Ngan/AFP
O ex-presidente norte-americano Barack Obama criticou no sábado o "espetáculo de palhaços" que existe nas redes sociais e na televisão, aludindo ao vídeo publicado nas redes sociais em que o casal Obama aparece numa animação com corpos de macacos.
"É importante destacar que a maioria dos americanos considera este comportamento muito problemático. É verdade que chama a atenção. É verdade que é uma distração", afirmou Obama durante uma entrevista com Brian Tyler Cohen.
Obama sublinhou que, nas suas viagens pelos Estados Unidos, viu muitas pessoas que "ainda acreditam na decência, na cortesia, na gentileza".
"Há um certo espetáculo de palhaços que ocorre nas redes sociais e na televisão e é verdade que aqueles que costumavam acreditar que deve haver um certo decoro e senso do apropriado, de respeito pelos cargos, não parecem envergonhados. Isso perdeu-se", acrescentou.
Em questão está um vídeo publicado pelo atual presidente norte-americano, Donald Trump, a 5 de fevereiro na sua rede social, a Truth Social.
O vídeo é, na maior parte, atribuído ao portal ultraconservador Patriot News Outlet e fala sobre a alegada manipulação das eleições de 2020 - em que o democrata Joe Biden derrotou Trump, que concorria a um segundo mandato - e que o presidente republicano tem vindo a denunciar desde então sem qualquer prova.
No entanto, aos 59 segundos, o vídeo é interrompido por uma curta animação que mostra os rostos dos Obama, o primeiro casal afro-americano na Casa Branca (presidência norte-americana), estampados em dois macacos durante alguns segundos antes de retomar o conteúdo original.
A animação é atribuída ao utilizador da rede social X, "xerias_x", que criou um vídeo, através da Inteligência Artificial, intitulado "Trump: Rei da Selva", datado de 24 de outubro de 2025, um filme rudimentar em que os rostos de líderes políticos são inseridos em corpos de animais.
Todos se prostram perante Trump, cujo rosto aparece no corpo de um leão.
O vídeo acabou por ser removido, após uma dúzia de horas, da conta do líder norte-americano, Donald Trump, onde tinha sido publicado "por engano" por "um funcionário".
"Um funcionário da Casa Branca publicou este conteúdo por engano. Foi apagado", disse um alto executivo à agência noticiosa France-Presse (AFP), depois de a publicação ter desencadeado uma onda de condenação, incluindo no Partido Republicano, do Presidente Trump.
Inicialmente, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, denunciou uma "falsa indignação", sem mencionar que se tratava de uma publicação errada na conta de Donald Trump na rede social Truth Social.
A publicação gerou indignação e acusações de racismo contra o Presidente norte-americano.
Na ocasião, o líder da minoria democrata no Congresso norte-americano, Hakeem Jeffries, apelou aos republicanos para que denunciassem "a repugnante intolerância de Donald Trump".
Barack e Michelle Obama, sublinhou o líder democrata, ele próprio afro-americano, são "americanos brilhantes, compassivos e patriotas e representam o melhor deste país".
Já o Presidente Trump, acrescentou, é "desprezível, desequilibrado e pernicioso" e "um indivíduo doente".
Por seu lado, o republicano Tim Scott, o único senador negro do seu partido no Congresso dos Estados Unidos, tinha pedido a Donald Trump que removesse o vídeo.
"Rezo para que esteja errado, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca. O Presidente deveria retirá-lo", disse então o senador conservador na rede social X.
