
Badr al Busaidi encontrou-se com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi (centro), e com a delegação norte-americana
Foto: EPA
O governo de Omã confirmou esta sexta-feira contactos indiretos entre Estados Unidos da América e Irão para "criar as condições apropriadas para reiniciar as negociações diplomáticas e técnicas" acerca do programa nuclear da República Islâmica.
Segundo o ministério dos Negócios Estrangeiros omani, o titular daquela pasta, Badr al Busaidi, encontrou-se com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, e também com a delegação norte-americana, designadamente o enviado-especial da Administração Trump, Steve Witkoff, e o conselheiro e genro do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Jared Kushner.
"As consultas concentraram-se na criação das condições adequadas para a retoma das negociações diplomáticas e técnicas, destacando a sua importância, dado o interesse das partes no sucesso e no ganho de segurança e estabilidade sustentáveis", disse.
Al Busaidi "reiterou o compromisso de Omã" em "continuar a apoiar o diálogo e a reaproximação entre as partes", bem como em "trabalhar com vários parceiros para alcançar soluções políticas consensuais que atendam aos objetivos e aspirações desejados".
O responsável governamental omani expressou "profunda gratidão" pelos "esforços dos países da região que apoiam as negociações",
Um vídeo publicado na Internet pelos responsáveis de Omã, indica que "às 13.30 horas horas (9.30 horas de Lisboa), Araqchi e sua delegação partiram para o local das negociações com os EUA para começar segunda rodada de conversas".
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, deu instruções terça-feira para negociar com os EUA, desde que as conversas ocorressem em "um contexto favorável" e "livre de ameaças e expectativas irrazoáveis", numa referência à recusa de Teerão de incluir quaisquer pontos no diálogo, além de seu programa nuclear, incluindo mísseis balísticos ou política interna.
Trump, que chegou a ameaçar intervenção militar em resposta à repressão aos recentes protestos populares e violenta repressão dos mesmos, focou-se entretanto no programa nuclear iraniano.
Teerão declarou que o programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos e sofreu um duro golpe com os ataques aéreos de forças israelitas e norte-americanos, em junho de 2015, que deixaram mais de 1.100 mortos no país do Médio Oriente, numa guerra de 12 dias.
