Indiferente aos apelos e acusações internacionais, nomedamente da ONU, Israel continua a usar tudo quanto pode para reduzir o Hamas, e com ele a Faixa de Gaza, a cinzas. Confirma-se a tese de Telavive de que nada ficará como dantes.
Ontem a ONU revelou, entre outros casos, que as Forças Armadas israelitas bombardearam uma casa na Faixa de Gaza onde os próprios soldados de Israel tinham colocado, no dia anterior, cerca de 110 palestinianos, sendo 50 crianças, supostamente para estarem em segurança. No ataque morreram 30.
Perante a cortina de ferro imposta por Israel à comunicação social internacional, que continua longe do epicentro da guerra, são as organizações internacionais como a Cruz Vermelha e a ONU que contam o que se passa em Gaza.
As revelações destas organizações estão, aliás, a provocar mais estragos na estratégia militar israelita do que o próprio Hamas. Embora tanto a ONU como outras organizações humanitárias estejam a abandonar a zona de conflito por, afirmam, terem passado a ser também alvo dos militares de Israel, o que já viram e revelaram ao Mundo está a ser demolidor para Telavive.
O Governo de Ehud Olmert admite, tal como foi agora pedido pelos Repórteres Sem Fronteiras e por mais de meia centena de meios de comunicação internacionais, dar luz verde à entrada dos jornalistas na Faixa de Gaza. No entanto, tal só deverá acontecer depois de Israel ter atingido a esmagadora maioria dos objectivos estabelecidos.
Objectivos esses que, segundo o Gabinete de Segurança, ainda carecem de mais alguns dias de ofensiva. Enquanto isso não acontecer, Israel continuará a não aceitar, como fez agora, o pedido de cessar-fogo estabelecido na resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Israel nunca aceitou nem aceitará que sejam forças externas a dizer como deverá defender os seus cidadãos. Por isso, os nossos militares continuarão a operar de acordo com os nossos interesses", afirma Olmert.
"Os disparos de mísseis contra os cidadãos do sul apenas provam que a resolução da ONU não será respeitada pelas organizações terroristas palestinianas", afirmou o primeiro-ministro israelita, acrescentando que "se os terroristas não cumprem, Israel também não pode nem deve cumprir".
Entretanto, deverão hoje chegar ao Cairo altos representantes do Hamas que vão analisar a proposta do Egipto para um cessar-fogo, segundo revelou Mussa Abu Marzuk, vice-chefe da organização radical islâmica.
Mussa Abu Marzuk afirmou também que o Hamas "não poderia aceitar ou rejeitar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para a qual não foi consultado".
Por outro lado, a alta-comissária dos Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, quer que seja feita uma investigação "credível e independente" ao que se passou na Faixa de Gaza desde o passado dia 27 de Dezembro, afirmando que as violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, "para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".
