
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que domingo condenou o governo sírio pelo massacre de sexta-feira, em Houla, do qual resultou a morte de 108 civis, relata episódios de fuzilamentos à queima-roupa e graves abusos físicos.
A declaração, na sequência do massacre que originou também mais de 300 feridos, condena, "nos mais fortes termos, o assassinato de dezenas de homens, mulheres e crianças, confirmado por observadores da ONU" e exige o fim imediato da violência.
"Os membros do Conselho de Segurança exigem que o Governo da Síria cesse imediatamente a utilização de armamento pesado em centros populacionais, assim como retire as tropas em torno das cidades", diz a declaração.
O Conselho de Segurança, que apresenta "profundas e sinceras condolências" às famílias das vítimas do massacre de Houla, diz também que o ataque constitui uma violação da lei internacional e dos compromissos do governo sírio às resoluções 2042 e 2043 da ONU.
"Os membros do Conselho de Segurança reafirmam o seu forte compromisso com a soberania, independência, integridade territorial e unidade da Síria e como os Propósitos e Princípios da Carta".
O chefe dos capacetes azuis da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria, o norueguês Robert Mood, disse hoje ao Conselho de Segurança que o massacre em Houla, na sexta-feira, resultou em 108 mortos e 300 feridos.
Os observadores militares e civis da missão de supervisão da ONU na Síria tinham revelado, no sábado, a existência de 92 mortos, entre os quais 32 crianças.
Kofi Annan vai começar a avaliar, pela segunda vez, na segunda-feira, a aplicação do acordo assinado há mais de um mês e que determinava o cessar-fogo a partir de 12 de abril, mas que nunca foi cumprido.
O enviado especial da ONU deverá reunir-se com Bashar al-Assad e com membros da oposição na Síria.
Mais de 13 mil pessoas, na sua maioria civis, foram mortas na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011, indicou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
O embaixador britânico nas Nações Unidas, Mark Lyall-Grant, disse aos jornalistas que "nos próximos dois dias o Conselho de Segurança continuará a reunir-se para discutir com mais detalhe os passos que devem ser dados".
