
Criança protesta contra regime de Bashar al-Assad frente à embaixada russa em Bucareste, na Roménia
Radu Sigheti/Reuters
Os confrontos mais violentos na Síria, desde o início da guerra civil, causaram mais de 200 mortos na quarta-feira e obrigaram centenas de pessoas a fugir da capital, Damasco. Oposição síria diz que Bashar al-Assad já abandonou a capital mas EUA e Israel discutem possível ataque a instalações de armamento no país.
A oposição síria no exílio garantiu que Assad já abandonou a capital e que se encontra na cidade costeira de Latakia, onde a minoria alauíta, a que pertence, é predominante. A mesma oposição acredita que Assad se prepara para criar um estado independente na região e que, por isso, está a bombardear pequenas vilas circundantes onde ainda se concentram sunitas.
Na quarta-feira de manhã, um atentado à sede de Segurança Nacional matou figuras importantes do governo, inclusive o cunhado de Bashar al-Assad.
Um porta-voz do principal grupo da oposição diz que foi o "o princípio do fim" do regime de Assad. "É um enorme golpe para ele [o presidente] e para o aparelho de segurança e de repressão do regime", afirmou.
A fonte ligada a Assad confessou que, depois desse atentado, o exército sírio vai "utilizar todas as armas ao dispor para acabar com os terroristas". Assim, o Exército pediu às pessoas para sairem da zona de combates "porque os terroristas pretendem usar os residentes como escudos humanos".
Só na quarta-feira, os confrontos na Síria, entre as forças do regime e a oposição, causaram mais de 200 mortos. Esta vaga de ataques, que começou no domingo, é a mais violenta desde o início da guerra civil no país. Os soldados do Exército Sírio Livre e os fiéis ao regime de Assad medem forças em Damasco onde centenas de pessoas tentam fugir dos confrontos.
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que fez as contas à carnificina, afirma que a maioria dos mortos são civis. O observatório diz ainda que, nas últimas horas, "centenas de pessoas" fugiram de vários bairros de Damasco.
Fonte ligada ao regime sírio garantiu, à Agência France Presse, que estes combates "de violência extrema devem continuar nas próximas 48 horas para limpar Damasco de terroristas antes do início do Ramadão", que começa esta sexta-feira.
Devido à intensidade dos ataques, o The New York Times noticia, esta quinta-feira, que responsáveis militares norte-americanos se deslocaram a Israel a fim de discutirem a possibilidade do estado judaico atacar as instalações de armamento na Síria.
Os mesmos responsáveis afirmam que o Pentágono não defende uma intervenção militar no país por acreditar que isso pode ajudar o presidente sírio a reunir esforços contra uma intervenção internacional.
