
O partido Vente Venezuela, liderado pela Nobel da Paz Corina Machado, destacou a coragem das mulheres venezuelanas
Foto: Oliver Contreras / AFP
A oposição venezuelana liderada por María Corina Machado e Edmundo González Urrutia exigiu este domingo, Dia Internacional da Mulher, a libertação de 56 presas políticas na Venezuela.
Numa publicação na rede social X, o partido Vente Venezuela (VV), liderado pela Nobel da Paz Corina Machado, destacou a coragem das mulheres venezuelanas que "lutam diariamente para manter a família unida e por um país livre".
Mais de 500 mulheres, familiares de presos políticos, aguardam a libertação dos seus parentes, que consideram "sequestrados" pelo governo da Venezuela, segundo estatísticas do VV citadas pela agência de notícias espanhola EFE.
Também a Plataforma Unitária Democrática (PUD), coligação liderada por González Urrutia, considerou hoje ser um "dever" continuar a trabalhar até "conseguir a liberdade de todos os presos políticos e a justiça que o país merece".
Também numa publicação no X, a PUD valorizou as mulheres que "não param de lutar" pela democracia do país e solidarizou-se com as presas políticas que enfrentam com "dignidade" a "injustiça".
"A todas dizemos: não estão sozinhas. Continuaremos a trabalhar até que a liberdade chegue para todas", afirmou María Beatriz Rodríguez, presidente do Primeiro Justiça (PJ), um dos partidos que integram a PUD.
Na mesma linha, González Urrutia reconheceu as mulheres "por se atreverem a quebrar limites", manifestando "respeito e admiração" por quem acredita num "futuro com liberdade e democracia" para a Venezuela.
"Ser mulher também significa usar essa força para ampliar as liberdades", afirmou Urrutia, que está exilado mas continua a reivindicar a Presidência da Venezuela, defendendo que derrotou Nicolás Maduro nas últimas eleições presidenciais, em 2024.
Diplomata de carreira e analista internacional, Edmundo González Urrutia tornou-se uma das principais vozes contra o regime de Maduro.
Já a diretora da Organização Não Governamental (ONG) Comité pela Liberdade dos Presos Políticos, Andreína Baduel, denunciou hoje que as presas políticas na Venezuela são "humilhadas" e maltratadas, pedindo à comunidade internacional para que esteja "alerta e vigilante" a esta situação.
Numa atividade em Caracas no âmbito do Dia Internacional da Mulher, Baduel disse à EFE que as presas políticas estão em "condições de imensa vulnerabilidade" e são "vítimas de diferentes tipos de violência", desde a psicológica, mas também violência sexual e institucional, que "as mantém detidas arbitrariamente".
Segundo a ONG Foro Penal, há neste momento 526 presos políticos na Venezuela, dos quais 56 são mulheres.
Estatísticas recusadas pelo governo, que nega que haja pessoas presas por motivos políticos, garantindo que todos os presos na Venezuela cometeram vários crimes, uma afirmação que é rejeitada por ONGs e partidos da oposição.
