
A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca
Foto: Mads Schmidt Rasmussen / AFP
Os países europeus ameaçados por Donald Trump com aumento de tarifas por oposição ao controlo norte-americano sobre a Gronelândia defenderam este domingo que vão continuar unidos e a defender a sua soberania.
"Continuaremos unidos e coordenados na nossa resposta. Estamos comprometidos em defender a nossa soberania", anunciaram a Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido, através de um comunicado conjunto divulgado este domingo, acrescentando que estão "comprometidos em fortalecer a segurança no Ártico".
Estes países, juntamente com a Eslovénia, enviaram militares para a Gronelândia, numa missão de reconhecimento no âmbito do exercício dinamarquês "Arctic Endurance", organizado com aliados da NATO e defenderam agora que este exercício "não representa nenhuma ameaça para ninguém".
"Com base no processo iniciado na semana passada, estamos prontos para dialogar com base nos princípios da soberania e da integridade territorial, que apoiamos firmemente", lê-se no comunicado.
Os oito países ameaçados pelo presidente norte-americano com aumento de tarifas por terem enviado soldados para a Gronelândia sublinharam ainda que estas intimidações "prejudicam as relações transatlânticas e representam um risco de uma espiral descendente perigosa".
Trump tem muito a perder
Donald Trump "também tem muito a perder", avaliou a ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard. "Nessa escalada de tarifas, ele também tem muito a perder, incluindo os seus próprios agricultores, incluindo seus próprios industriais", disse Genevard ao "Grand rendez-vous" da Europe 1/Les Echos/CNews.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que estará este domingo "em contacto o dia todo com os homólogos europeus", pedirá "a ativação do instrumento anti-coerção" da UE se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Donald Trump forem executadas, informou fonte próxima de Macron.
Esta ferramenta, cuja implementação requer a maioria qualificada dos países da União Europeia, permite, entre outras medidas, o congelamento do acesso aos mercados públicos europeus ou o bloqueio de certos investimentos.
As ameaças comerciais norte-americanas "levantam a questão da validade do acordo" sobre tarifas alfandegárias concluído entre a União Europeia e os Estados Unidos em julho passado, observou fonte próxima do presidente francês.
Berlim coordenará com europeus
O porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, disse que a Alemanha "tomou nota" do anúncio de Trump e que coordenará a sua reação com os outros parceiros europeus. "No seu momento decidiremos sobre as sanções adequadas", disse Kornelius na sua conta do X.
Até ao momento, nem o chanceler, Friedrich Merz, nem nenhum dos seus ministros se pronunciaram. Na Alemanha, da parte das empresas privadas, houve reações e, por exemplo, o presidente da Patronal, Dirk Jandura, disse, em declarações recolhidas pelo jornal "Handelsblatt", que se a imposição de tarifas se tornar uma arma política, no final só haverá perdedores.
Donald Trump ameaçou no sábado vários países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que "um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Gronelândia".
Esta sobretaxa de 10%, que recai sobre os países que enviaram soldados para a Gronelândia, entrará em vigor a partir de 1 de fevereiro e poderá subir para 25% em 01 de junho, disse Trump.
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem reiterado a intenção de os Estados Unidos assumirem o controlo da Gronelândia, "a bem ou a mal". A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca, estrategicamente localizado no Ártico, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.
