
Guindaste usado para construir projeto de alta velocidade caiu sobre comboio na Tailândia, provocando várias mortes e deixando dezenas de feridos.
Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP
Um guindaste num projeto ferroviário de alta velocidade no Noroeste da Tailândia colapsou sobre um comboio de passageiros esta quarta-feira, provocando um descarrilamento. Pelo menos 28 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.
A estrutura partida do enorme guindaste ficou apoiada em pilares gigantes de betão, enquanto o fumo subia dos destroços do comboio, como mostram as imagens do local verificadas pela agência France-Presse (AFP). As equipas de resgate trabalharam para retirar os passageiros dos vagões inclinados na província de Nakhon Ratchasima.
O Ministério da Saúde informou em comunicado que 28 pessoas morreram e 64 foram hospitalizadas, sete delas em estado grave. Já o ministro dos Transportes, Phiphat Ratchakitprakarn, detalhou que 195 pessoas seguiam a bordo do comboio e que as autoridades estavam a mobilizar-se para identificar as vítimas mortais.

Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP
O departamento de Relações Públicas da província informou que o guindaste colapsou sobre um comboio que viajava de Banguecoque para a província de Ubon Ratchathani, "causando o seu descarrilamento e incêndio". Thatchapon Chinnawong, chefe da Polícia do distrito de Sikhio, disse à AFP que as autoridades retomaram as operações de resgate após uma breve pausa devido a uma "fuga química" no local.
Mitr Intrpanya, que estava no local, disse ter ouvido um barulho forte "como se algo estivesse a deslizar de cima, seguido de duas explosões". "Quando fui ver o que tinha acontecido, encontrei a grua sobre um comboio de passageiros com três carruagens", disse o homem de 54 anos à AFP. "O metal do guindaste parece ter atingido o meio do segundo vagão, partindo-o ao meio", acrescentou.
O acidente ocorreu num estaleiro de construção que faz parte de um projeto de mais de cinco mil milhões de dólares, financiado por Pequim, para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade na Tailândia. O projeto visa ligar Banguecoque a Kunming, na China, passando pelo Laos, até 2028, no âmbito da vasta iniciativa chinesa de infraestruturas "Uma Faixa, Uma Rota".
"Única empresa responsável"

Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP
O consultor de engenharia Theerachote Rujiviphat, assessor do projeto de alta velocidade, disse à AFP que a empresa tailandesa contratada para construir o troço da ferrovia de alta velocidade onde a grua caiu, a Italian-Thai Development, foi a única responsável pelo colapso. Theerachote, da China Railway Design Corporation, afirmou que o guindaste de lançamento que caiu sobre os carris existentes também pertencia à Italian-Thai Development.
"É a única empresa responsável. Um acidente semelhante também ocorreu há alguns anos sob a sua responsabilidade", destacou Theerachote.
Um representante da Italian-Thai Development, uma das maiores empresas de construção da Tailândia, afirmou que a empresa não podia responder de imediato às perguntas da AFP.
O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, disse que as autoridades devem determinar a causa do colapso do guindaste e responsabilizar os culpados. "Este tipo de incidente acontece com muita frequência", frisou aos jornalistas em Banguecoque. "Ouvi dizer que se trata da mesma empresa [envolvida em acidentes anteriores]. Está na altura de mudar a lei para incluir na lista negra as empresas de construção que são repetidamente responsáveis por acidentes", concluiu.

Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP
A Italian-Thai Development e o seu diretor estavam entre as mais de 20 pessoas e empresas indiciadas em agosto num caso relacionado com o colapso de um arranha-céus em Banguecoque durante um terramoto. O desabamento matou cerca de 90 pessoas, a maioria trabalhadores da construção civil.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que Pequim está a investigar o sucedido na quarta-feira e que "atribui grande importância à segurança deste projeto e dos seus funcionários". "Atualmente, parece que o troço em questão está a ser construído por uma empresa tailandesa", disse a porta-voz Mao Ning numa conferência de imprensa regular. A diplomacia expressou ainda as "condolências da China pelas vítimas do acidente".
Histórico de acidentes

Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP
A Tailândia possui cerca de cinco mil quilómetros de caminhos de ferro, mas a precariedade da rede ferroviária faz com que as pessoas prefiram viajar por terra há muito tempo. Após a conclusão da ferrovia de alta velocidade de 600 quilómetros, os comboios fabricados na China ligarão Banguecoque a Nong Khai, na fronteira do rio Mekong com o Laos, a velocidades de até 250 quilómetros por hora.
Em 2020, o então primeiro-ministro tailandês, Prayut Chan-o-Cha, que procurava estreitar laços com Pequim, assinou um acordo para que a Tailândia suportasse todos os custos do projeto, utilizando tecnologia recomendada pela China.
Os acidentes em estaleiros de construção e indústrias são comuns na Tailândia, onde a fiscalização pouco rigorosa das normas de segurança tem levado a incidentes fatais. Em 2023, um comboio de mercadorias matou oito pessoas após colidir com uma carrinha de caixa aberta que atravessava os carris da ferrovia no leste da Tailândia.
