Pentágono contra Anthropic: o conflito que opôs os EUA a uma empresa de inteligência artificial

A disputa trouxe ao debate público a utilização da IA a nível militar, bem como as suas consequências e os desafios éticos e morais implicados
Foto: Joel Saget/AFP
A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic reacendeu o debate sobre a utilização da tecnologia depois de recusar um contrato militar com o Governo norte-americano.
Uma guerra pública entre o Departamento da Defesa e a empresa de IA Anthropic avançou para o tribunal. O confronto teve início na sequência de negociações falhadas entre o Pentágono e a empresa, detentora da plataforma de IA "Claude", com quem a Administração norte-americana queria firmar contrato para acelerar a implementação de inteligência artificial no exército norte-americano.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, recusou o contrato militar, que pretenderia usar os seus sistemas de inteligência artificial para efeitos de vigilância em massa nacional e criação de armas automáticas capazes de matar sem intervenção humana.
Perante a resposta negativa, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, acusou a empresa de "arrogância e traição" da nação e exigiu que todas as empresas que trabalham com o Governo terminassem todos os negócios com a Anthropic. O contrato acabou por passar para a OpenAI, empresa responsável pelo famoso ChatGPT, com o presidente dos EUA, Donald Trump, a declararam, em entrevista ao jornal "Politico", que despediu a equipa da Anthropic "como cães".
A disputa trouxe ao debate público a utilização da IA a nível militar, bem como as suas consequências e os desafios éticos e morais implicados. Por outro lado, representa também a maior disrupção entre a indústria da tecnologia norte-americana e o Governo de Trump.
A utilização de IA no exército tem sido um tema muito debatido, testado e até implementado, como por exemplo, mais recentemente, na guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.
