
Perto de 210 mil deslocados entre cerca de 800 mil habitantes foram contabilizados em Bangui desde o início dos confrontos religiosos na República Centro-Africana, informou a ONU.
"Só em Bangui (a capital), calculamos que existam perto de 210 mil pessoas deslocadas nas duas últimas semanas", declarou um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Adrian Edwards, num encontro com a Imprensa.
O ACNUR registou, na segunda-feira, nos subúrbios de Bangui, cerca de 40 mil deslocados desde 5 e 6 de dezembro que ainda não tinham conseguido contactar as organizações humanitárias.
Por outro lado, no mesmo período, "cerca de 5600" fugiram de suas casas em Bossangoa, a 400 quilómetros a noroeste de Bangui, acrescentou o porta-voz.
O encerramento da fronteira não impediu que 1815 pessoas tenham chegado a Zongo, na República Democrática do Congo, fazendo aumentar para 3292 o número de refugiados centro-africanos que chegaram ao país desde 5 de dezembro.
"Muitos dos recém-chegados dizem ter presenciado atrocidades", disse Edwards, indicando assassínios, violência sexual e outras violações dos direitos humanos.
A 5 de dezembro, milícias de autodefesa cristãs lançaram uma ofensiva em Bangui contra as posições da ex-rebelião de maioria muçulmana Séléka (no poder) e bairros muçulmanos.
Os combatentes Séléka responderam de forma sangrenta contra a população maioritariamente cristã da capital.
A violência precipitou a intervenção militar da França, lançada no mesmo dia após a "luz verde" da ONU, que conta com perto de 1600 homens destacados sobretudo em Bangui.
