Polícia da Coreia do Sul faz buscas nos serviços secretos em processo sobre drones enviados para o Norte

Fotografias, captadas a 4 de janeiro de 2026 e divulgadas como uma imagem composta pela Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA) via KNS a 10 de janeiro de 2026, mostram os destroços de um drone que a Coreia do Norte alega ter tido origem na Coreia do Sul e ter sido abatido por recursos especializados de guerra eletrónica após violar o espaço aéreo norte-coreano
Foto: KCNA via KNS / AFP
As autoridades sul-coreanas declararam esta terça-feira ter feito buscas nos serviços secretos civis e militares do país no âmbito de uma investigação sobre o roubo de um drone que atravessou a fronteira com o Norte em janeiro.
A Coreia do Norte acusou o Sul de ter enviado um drone no início de janeiro para o seu território e afirmou ter abatido o aparelho perto da cidade de Kaesong, não muito longe da fronteira intercoreana. A KCNA, agência oficial norte-coreana, estabeleceu uma ligação com outro voo de drones sul-coreanos realizado, segundo Pyongyang, perto da cidade fronteiriça de Paju, em setembro.
Seul negou qualquer envolvimento do Governo ou do Exército, sugerindo que civis poderiam ser os responsáveis, mas hoje as autoridades sul-coreanas anunciaram que estão a investigar três soldados e um funcionário dos serviços dos serviços de informação suspeitos de envolvimento. Mandados de busca e apreensão foram executados "em 18 locais no total, incluindo o Comando de Inteligência da Defesa e o Serviço Nacional de Inteligência", de acordo com um comunicado.

Vista aérea da cidade norte-coreana de Kaesong obtida a partir de um drone sul-coreano abatido, segundo Pyongyang (Foto: Foto: KCNA via KNS / AFP)
Três civis foram acusados por suposto papel no escândalo do drone. Um deles reivindicou publicamente a responsabilidade, afirmando ter pilotado o aparelho para medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados em torno de uma fábrica de processamento de urânio no Norte.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung denunciou esse sobrevoo, alertando que se tratava de uma iniciativa que poderia desencadear uma guerra.
O seu antecessor deposto, Yoon Suk-yeol, está atualmente a ser julgado por ter ordenado ilegalmente sobrevoos de drones sobre a Coreia do Norte, na esperança de provocar uma reação de Pyongyang e usá-la como pretexto para uma tentativa entretanto frustrada de impor a lei marcial. Yoon Suk-yeol foi destituído em abril passado por essa tentativa.
O Sul da península coreana ainda está tecnicamente em guerra com o Norte, com o qual não foi assinado nenhum tratado de paz após o conflito de 1950-1953.
