
França política mobiliza-se por Macron contra "inimiga da República"
REUTERS/Benoit Tessier
Da Esquerda à Direita, passando pelo atual aparelho político francês, a mobilização contra Marine Le Pen começou a criar onda de apoio a Emmanuel Macron, para a segunda volta das presidenciais francesas.
O candidato do PS francês, Benoît Hamon, com cerca de 6% nas projeções de voto, foi o primeiro a comentar as eleições, anunciando o apoio a Macron, na segunda volta. "Distingo entre um adversário político [Macron] e uma inimiga da República [Le Pen]. O momento é sério", disse Hamon, que reconheceu a "sanção histórica" ao Partido Socialista, nas eleições deste domingo.
François Fillon, um dos candidatos a passar à segunda volta, também já apelou ao apoio a Macron, na segunda volta, contra Marine Le Pen. "Não estou feliz, mas a abstenção não está nos meus genes, especialmente quando um partido extremista se aproxima do poder", disse.
"O extremismo só pode trazer desgraça e divisão à França. Não há outra escolha senão a de votar contra a extrema-direita, portanto eu votarei em Emmanuel Macron", declarou Fillon.
O candidato Jean-Luc Mélenchon (esquerda) reconheceu que os resultados não são os esperados e revelou que vai consultar os militantes para decidir se apoia o centrista Macron ou Le Pen (extrema-direita) na segunda volta.
Presidente e primeiro-ministro contra Le Pen
O presidente François Hollande felicitou Emmanuel Macron pela passagem à segunda volta, anunciou a presidência francesa. De acordo com fonte do Eliseu, citada pela agência France Presse, Hollande telefonou a Macron para o felicitar pelos resultados obtidos.
"Podem imaginar a escolha do presidente: entre um dos seus antigos ministros, que trabalharam com ele, e a representante da extrema-direita", comentou uma fonte próxima de François Hollande.
Antes, o primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, pedira aos eleitores para que rejeitem o apelo da candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, e votem em Emmanuel Macron na segunda volta das eleições presidenciais francesas.
"A presença de um candidato de extrema-direita 15 anos depois do impacto que houve em 2002 obriga-nos a unir todos os republicanos contra" Marine Le Pen, destacou o chefe do executivo francês.
Cazeneuve referia-se à vitória de Jean-Marie Le Pen - pai de Marine - em 2002 contra o candidato do Partido Socialista, Lionel Jospin, na primeira volta das presidenciais, que lhe permitiu disputar a segunda vonta com Jacques Chirac, que acabou por sair vencedor. "Peço-vos que votem em Macron para ganhar a esse projeto desastroso que atrasaria a França e dividiria os franceses", afirmou, citado pela agência de notícias espanhola Efe, na sede do Governo francês.
A ministra francesa do Ambiente, Ségolène Royal, foi rápida a dispara no Twitter o apoio a Macron. "Mobilização em volta de Emmanuel Macron, para dar a vitória aos valores e talentos de França que o Mundo admira e que vão inventar o futuro", escreveu aquela socialista francesa, que já foi casada com o François Hollande.
https://twitter.com/RoyalSegolene/status/856216384778514432
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou hoje que o Governo espera que Marine Le Pen não vença as eleições presidenciais francesas, por pretender que a França "continue a ser um grande estado-membro da União Europeia".
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O chefe da diplomacia alemã, o social-democrata Sigmar Gabriel, disse estar "seguro" que o centrista Emmanuel Macron vai ser eleito presidente da França a 7 de maio.
"Claro que estou contente (...). Emmanuel Macron vai ser o próximo presidente francês", disse o vice-chanceler de Angela Merkel, numa mensagem em vídeo na rede social Twitter.
"Estou certo que ele vai varrer a extrema-direita na segunda volta. Vai varrer o populismo de direita, os antieuropeus", acrescentou, referindo-se à candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, felicitou Emmanuel Macron, a quem as projeções dão a vitória nas eleições presidenciais francesas deste domingo e como favorito na segunda volta.
Numa publicação na rede social Twitter, Juncker felicita Macron "pelo seu resultado na primeira volta" e deseja ao candidato centrista "boa sorte para a seguinte", na qual vai defrontar a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.
Também a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou no Twitter que Macron é "a esperança e o futuro da nossa geração".
