Shinjiro Koizumi, um político japonês visto como potencial futuro primeiro-ministro, anunciou na quarta-feira que irá tirar um tempo das funções de ministro do Ambiente quando o filho nascer. A medida é vista como um forte exemplo para outros pais numa cultura de muito trabalho como a do Japão.
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De acordo com o jornal norte-americano "The New York Times", Koizumi terá um total de duas semanas de folga ao longo de três meses, um pequeno intervalo de tempo comparado à duração da licença de paternidade noutros países desenvolvidos. Ainda assim, para um país como o Japão, onde a dedicação ao trabalho é muito intensa, o facto de um homem tirar folgas após o nascimento de um filho é um acontecimento raro.
"Espero que a minha licença de paternidade faça com que todos no ministério do Ambiente possam facilmente fazer o mesmo sem hesitar", disse Koizumi, que é filho do ex-primeiro ministro Junichiro Koizumi.
Muitos japoneses dedicam-se ao trabalho mais do que a outra coisa qualquer na vida, mas o anúncio de Koizumi dá uma nova esperança para os que, tal como ele, pretendem ter mais tempo para a família. "É um bom precedente e já é tempo de esse tipo de situação se tornar mais normal", afirmou o cientista político Koichi Nakano ao New York Times.
Ainda assim, Koizumi disse ter sofrido repercussões ao decidir tirar as folgas, algo que Nakano vê como mau presságio para aqueles que em posições menos privilegiadas pretendem fazer o mesmo.
As leis de licença de paternidade do Japão até estão entre as mais generosas do mundo, concedendo a novos pais e mães o direito de tirar um ano de folga após o nascimento de um filho. Mas poucos homens as aproveitam: apenas mais de 6% dos homens que trabalham para empresas privadas tiraram uma folga em 2018. Por outro lado, mais de 82% das novas mães afastaram-se do trabalho durante a maternidade.
Entre os poucos pais que tentaram tirar licença de paternidade, alguns acusaram os empregadores de discriminação. Dois homens processaram os empregadores em 2019, alegando que reduziam o salário ou os rebaixavam quando regressavam ao trabalho.
No seu blogue, Koizumi falou sobre algumas das dificuldades de contrariar uma sociedade que ainda valoriza a dedicação ao trabalho acima de tudo: "Há homens a passar por dificuldades semelhantes. Querem tirar a licença, mas é difícil. A licença para cuidar dos filhos não irá prevalecer a menos que se mude não só o sistema, mas também a mentalidade".
