Portugal chama embaixador iraniano para condenar repressão e está disponível para reforçar sanções

Manifestantes durante o protesto organizado pela comunidade iraniana em Portugal, exigindo a expulsão do representante diplomático do regime islâmico no país, em frente à embaixada do Irão em Lisboa.
Foto: Rodrigo Antunes / EPA
Portugal chamou o embaixador do Irão para condenar a repressão violenta das manifestações contra o regime naquele país e está disponível para um reforço das sanções europeias, anunciou esta terça-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros
O embaixador do Irão em Lisboa foi chamado "para lhe transmitir de viva voz a condenação veemente, já reiteradamente feita nos últimos dias, da repressão violenta das manifestações", avançou o Ministério numa mensagem divulgada nas redes sociais.
O MNE chamou o Embaixador do Irão em Lisboa para lhe transmitir de viva voz a condenação veemente, já reiteradamente feita nos últimos dias, da repressão violenta das manifestações e o apelo a que sejam respeitados os direitos das cidadãs e dos cidadãos iranianos.
- Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) January 13, 2026
A reunião serviu também para Portugal apelar "a que sejam respeitados os direitos das cidadãs e dos cidadãos iranianos", acrescentou a diplomacia portuguesa.
Além disso, referiu o Governo, Portugal está disponível para, "no quadro de concertação europeia, reforçar as sanções ao Irão".
Reação europeia
A Comissão Europeia admitiu na segunda-feira propor novas sanções "mais severas" contra as autoridades do Irão, que terão de ser aprovadas por unanimidade pelos Estados-membros. A União Europeia (UE) já impôs sanções contra personalidades iranianas responsáveis por violações graves dos direitos humanos no país, mas a violência da repressão aos protestos contra o regime das últimas duas semanas podem levar a um reforço das sanções.
"É absolutamente inaceitável que pessoas que estão a manifestar-se pacificamente, em defesa da sua liberdade, estejam a ser detidas e mortas", afirmou a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho.
Pelo menos 648 manifestantes foram mortos em 14 províncias no Irão desde 28 de dezembro, quando começaram os protestos, inicialmente contra o custo de vida, num país sujeito a sanções económicas, mas que depois se tornaram num protesto político contra as autoridades de Teerão, segundo a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights, sediada na Noruega.
Outras estimativas elevam o número de mortos até três mil, como indicou a Organização dos Mujahedin do Povo do Irão (OMPI), um grupo de oposição ao regime, que baseia os cálculos em fontes locais, hospitais e familiares das vítimas.
A condenação da repressão violenta tem sido anunciada por várias entidades e Estados, como o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que criticou na segunda-feira o regime que lidera o Irão, afirmando que a UE está "ao lado dos corajosos iranianos". Também a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, condenou na segunda-feira o regime iraniano, tendo decidido proibir diplomatas e outros representantes do Irão de entrar nas instalações da assembleia europeia.
Ao mesmo tempo, a França mandava retirar os funcionários diplomáticos não essenciais da embaixada no Irão, a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica apelava às autoridades de Teerão para que "cessem imediatamente a violência" e o chefe da diplomacia de Espanha chamava o embaixador do Irão no país para lhe transmitir "repulsa enérgica e condenar" a repressão dos protestos.
Pelo seu lado, o Irão convocou na segunda-feira os representantes diplomáticos da Alemanha, França, Itália e Reino Unidos em Teerão para protestar contra o apoio dos quatro países aos manifestantes iranianos, tendo-lhes mostrado um vídeo que disse documentar a "violência dos desordeiros" e exigido que fossem retiradas as "declarações oficiais de apoio aos manifestantes".
No domingo, a comunidade iraniana em Portugal juntou cerca de 200 pessoas numa manifestação frente à embaixada do Irão em Lisboa, pedindo a intervenção dos países ocidentais e da ONU para travar aquilo que considera ser um regime semelhante ao nazi. A organização pediu ainda que o Governo português expulse os representantes da República Islâmica em Portugal, por representarem "um culto criminoso, que está a matar o seu próprio povo"
No sábado, o procurador-geral do Irão avisou que qualquer pessoa que participe nos protestos será considerada "inimiga de Deus", acusação punível com pena de morte.
