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A portuguesa Maria da Rocha foi encontrada morta, terça-feira de manhã, pelas autoridades belgas, no bar que explorava em Charleroi, com ferimentos de faca nas costas. O companheiro foi detido e suspeita-se que a filha de nove anos poderá ter visto a mãe a morrer.
A polícia belga está a investigar a morte da cidadã portuguesa Maria da Rocha, encontrada na terça-feira no bar que explorava em Charleroi, com marcas de facadas nas costas. Foi o companheiro, David Vens, que alertou as autoridades e avisou a família da vítima em Portugal de que Maria aparecera morta. Acabou detido. E suspeita-se que a filha de ambos, de nove anos, tenha assistido à morte da mãe.
O crime terá acontecido na madrugada de terça-feira, no bar Petite Taverne, na Rue Marchienne. O contexto é turvo, mas relatos dos vizinhos e amigos citados pela imprensa belga e de familiares ouvidos pelo JN dão conta de anos de violência doméstica, problemas financeiros e alcoolismo.
"Ultimamente, já não nos contava muito sobre a vida dela, mas continuava a queixar-se de David e a dizer que ele era mau para ela, que lhe batia e que bebia muito", disse uma familiar de Maria, 45 anos e natural de Oleiros, em Vila verde. O casal conheceu-se na Bélgica, para onde Maria emigrou há vários anos.
Relato confuso
Quando as autoridades chegaram ao bar, Maria estava no chão, já sem vida. Segundo o jornal "La Dernière Heure", David teve tempo, antes da chegada da polícia, para telefonar a uma amiga e entregar-lhe a filha.
"A Maria partiu. Fica com a pequena, que eu vou seguramente para a prisão", ter-lhe-á dito. A amiga também deu conta de violência "diária" entre o casal. "Uma vez esfaqueou-a, outra espetou-lhe um garfo no joelho", contou, garantindo que a portuguesa dormia muitas vezes em sua casa, para fugir dele.
Os investigadores tentam agora organizar o fio dos acontecimentos. Segundo David, Maria naquela noite dormira na cama e ele num sofá. Quando acordou, encontrou a mulher morta, disse, num relato toldado por falhas de memória atribuídas ao álcool.
A menina acabou por ficar num outro café do bairro e aí terá contado que viu a mãe com uma ferida nas costas, cerca da meia-noite, e que tentou colocar-lhe um penso rápido na ferida, mas que ela estava a dormir.
A família portuguesa vai agora pedir a guarda da criança, que ficou nos serviços de proteção de menores, disse ao JN a familiar já citada. "Uma amiga contou-nos o que se terá passado. É tudo muito mau". A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas disse ao JN estar a acompanhar o caso de Maria, cujo funeral, em Oleiros, não deverá acontecer antes da próxima semana, segundo uma amiga.
