Portugueses não querem paz a qualquer preço na Ucrânia e continuam a acreditar na NATO

Em caso de conflito armado, 61% dos eleitores confirmaram que Portugal deve manter-se na NATO e assumir os compromissos
Foto: Manuel de Almeida / Lusa
Sondagem da Pitagórica sobre política internacional revela que, mesmo em caso de guerra, a maioria da população mantém o apoio à Aliança Atlântica. O investimento em Defesa merece a aprovação dos inquiridos, mas com cuidado para não afetar o Estado Social.
Quase quatro anos depois do início da invasão russa da Ucrânia, o apoio da população portuguesa ao país de Zelensky continua forte. Mais de metade (51%) dos inquiridos na sondagem da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN afirma apoiar o financiamento em larga escala da União Europeia à Ucrânia - e por consequência que o nosso país também desembolse milhões de euros. A estes, somam-se 35% que também defendem o apoio financeiro, ainda que em menor escala. Só 11% afirmam que Portugal não deve participar neste investimento ao nível dos 27 países do bloco europeu.
Confirmando o apoio nacional a Kiev, está o ceticismo em relação à proposta de paz dos EUA para a região, que inclui grandes concessões à Rússia, como perdas territoriais de relevo. Só 15% afirmam que a Ucrânia deve assinar um plano com cedências, com a uma grande parte dos inquiridos (43%) a fazer depender a aceitação do conteúdo final do documento e das garantias dadas em termos de segurança futura. Mais de um terço das repostas (36%) é mais radical: o plano de paz não deve ser aceite. Numa distribuição por partidos das respostas, os eleitores do Chega mostraram-se os mais disponíveis para aceitar uma resposta afirmativa às concessões propostas por Donald Trump. Os eleitores da Aliança Democrática votaram maioritariamente numa aceitação, dependendo do conteúdo final do acordo.
NATO sim, mesmo em guerra
Surpreendente poderá ser o resultado das questões relacionadas com a NATO. A organização vive momentos conturbados, com dúvidas fundadas sobre as intenções da administração Trump relativamente aos aliados europeus, com os EUA a ameaçarem a integridade territorial da Dinamarca, por causa da Gronelândia. Mas estas dúvidas não parecem preocupar os portugueses, com 90% dos inquiridos a afirmarem que o país deve manter-se firme na NATO. Só 3% afirmam taxativamente que Portugal deve abandonar os aliados.
Em caso de conflito armado, por exemplo, pela ativação do artigo 5.º da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que estabelece que um ataque armado contra um membro é considerado um ataque contra todos, 61% dos eleitores defendem que Portugal deve manter-se na organização e assumir os compromissos. Já um quarto dos inquiridos preferiria que Portugal se mantivesse na NATO, mas com participação limitada em conflitos. Menos de um décimo (9%) acredita que o país deveria manter-se neutro e abandonar a aliança. Quando olhamos para a distribuição etária de quem apoia o cumprimento dos compromissos, mesmo que envolva uma guerra, o valor mais baixo de aprovação encontra-se no intervalo de adultos entre os 25 e os 34 anos (50% dos inquiridos neste intervalo). Os inquiridos nos intervalos 35-44 anos, 18-24 anos, 55-64 anos e mais de 65 anos posicionam-se em valores homogéneos, entre os 63% e os 66%.
Quando confrontados com o gasto de 5,8 mil milhões de euros em equipamento militar proposto pelo Governo, 23% dos inquiridos concordam que tal investimento é prioritário. Mais de metade (56%) concede que é preciso despender mais com Defesa, mas de uma forma "mais gradual e sem pôr em causa prioridades sociais". Só 19% consideram que este é um momento pouco oportuno para tal despesa ou que esta é mesmo totalmente desnecessária.
Ficha técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com as eleições presidenciais de 2026. O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%. As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.
