Príncipe William entre a areia de Copacabana e o compromisso ambiental: "Temos de proteger os protetores"

O príncipe William posa com moradores da Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro. A visita, marcada pela proximidade com as comunidades locais, integra a passagem do herdeiro britânico pelo Brasil, onde participa nos prémios Earthshot e na COP30
Foto: Daniel Ramalho/AFP
O herdeiro do trono britânico cumpre uma agenda intensa no Rio de Janeiro, entre encontros com jovens, líderes ambientais e representantes do Governo. No Brasil desde o início da semana, o príncipe William recebeu as chaves da cidade, jogou vólei na praia e lançou uma aliança global com foco na Amazónia.
A cimeira do clima ainda não começou, mas o príncipe William chegou mais cedo ao Brasil. Esta segunda-feira recebeu as chaves da cidade do Rio de Janeiro, numa cerimónia no Pão de Açúcar, marcada pela descontração e pela vista sobre a Baía de Guanabara. O gesto simbólico abriu uma visita que tem conciliado diplomacia, causas ambientais e proximidade com a população.
Na Praia de Copacabana, o príncipe deixou o protocolo de lado. Descalço e sorridente, jogou uma partida de vólei com adolescentes do Instituto Levante, fundado pela atleta Carolina Solberg, e assistiu a uma demonstração de salvamento no mar promovida pelo Corpo de Bombeiros.

Foto: Daniel Ramalho/AFP
"Ele foi muito melhor do que eu esperava, jogou bem e até se atirou à areia", contou João Pedro, de 14 anos. "É um incentivo enorme para estas crianças", acrescentou Solberg, emocionada.
Mais tarde, William passou pelo Maracanã, onde deu uns toques na bola e recebeu uma camisola da seleção brasileira das mãos de Cafu. Com crianças da ONG Onda Solidária, participou num jogo simbólico e posou para fotografias, entre risos e cumprimentos.
Foto: André Coelho/EPA
No Rio, um apelo global pela Amazónia
O segundo dia da visita começou com uma deslocação à Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, onde o príncipe conheceu projetos dedicados à preservação dos manguezais e à recuperação de ecossistemas costeiros. Acompanhado por representantes do Ministério do Meio Ambiente e do ICMBio, esta terça-feira, William ouviu explicações sobre a biodiversidade local e os impactos das alterações climáticas.
Foto: Daniel Ramalho / AFP
De regresso ao centro do Rio, o príncipe participou num encontro com líderes indígenas, representantes de organizações internacionais e autoridades brasileiras, onde apresentou uma parceria global com foco na proteção da Amazónia e na segurança de ativistas ambientais.
A iniciativa envolve o programa Unidos pela Vida Selvagem, da Fundação Real, a Coiab, o Fundo Podáali, a Rainforest Foundation Norway e a Re:wild. "Não podemos gerir as nossas florestas enquanto os seus protetores vivem com medo. E não podemos proteger os defensores do ambiente sem garantir os territórios que defendem. Temos de proteger os protetores", afirmou o herdeiro britânico, num discurso amplamente aplaudido.
A ministra do Meio Ambiente brasileira, Marina Silva, elogiou o compromisso: "Sem uma base sólida, não será possível combater a rede criminosa que explora os nossos recursos naturais. O Brasil está firmemente comprometido com o desmatamento zero até 2030."
Earthshot Prize e COP30: o futuro em debate
Tal como o pai, o rei Carlos III, William é um defensor convicto da causa ambiental. Em 2020 criou o Prémio Earthshot, que visa impulsionar uma década de ação ecológica para "ajudar a reparar o planeta".
A cerimónia de entrega dos prémios de 2025 realiza-se esta quarta-feira no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e vai distinguir projetos inovadores de reflorestação, proteção dos oceanos e filtragem de microplásticos.
Depois do evento, o príncipe seguirá para Belém, onde participará na Cimeira de Líderes da COP30, em representação do Reino Unido, reforçando o papel britânico nas metas globais de sustentabilidade.

