
Yoon durante o anúncio da lei marcial, em dezembro de 2024
Foto: Jung Yeon-je / AFP
Um procurador independente pediu esta terça-feira a pena de morte para o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, acusado de rebelião na sequência de uma imposição da lei marcial em dezembro de 2024.
O Tribunal Distrital Central de Seul informou que o pedido foi apresentado pela equipa liderada pela procuradora Cho Eun-suk durante uma audiência, na qual era esperado que Yoon se pronunciasse. Destituído do cargo em abril do ano passado, Yoon enfrenta vários processos criminais relacionados com a sua decisão de decretar a lei marcial e com outros escândalos ocorridos durante o seu mandato.
As acusações de rebelião são consideradas as mais graves e poderão ter consequências penais máximas. O tribunal deverá proferir o veredicto no processo em fevereiro.
Yoon tem defendido que o decreto de lei marcial foi uma tentativa "desesperada, mas pacífica" de alertar a população para o que considerava ser o perigo representado pelo Partido Democrático, de Oposição. O antigo chefe de Estado conservador acusou o Parlamento, controlado pelos liberais, de ser "um antro de criminosos" e de agir como "forças antiestatais" ao bloquear sistematicamente a sua agenda política.
No entanto, os deputados reagiram rapidamente ao decreto, entrando no plenário em cenas descritas como caóticas e dramáticas, e conseguiram aprovar a sua revogação, incluindo com votos de membros do próprio partido de Yoon. A imposição da lei marcial, a primeira em mais de 40 anos na Coreia do Sul, levou tropas armadas às ruas de Seul para cercar o Parlamento e ocupar instalações eleitorais.
A medida evocou memórias traumáticas das ditaduras das décadas de 1970 e 1980, quando os militares eram usados para reprimir protestos pró-democracia.
A situação está a mergulhar o país numa profunda crise política, interrompeu a diplomacia de alto nível e abalou a confiança dos mercados financeiros. As declarações de Yoon contra o processo de destituição e contra a sua eventual detenção contribuíram para agravar a polarização política no país.
Em janeiro do ano passado, Yoon tornou-se o primeiro presidente sul-coreano em funções a ser detido, num momento sem precedentes na história democrática do país.
