
JOHANNES EISELE/AFP
(Em atualização) Os conservadores CDU-CSU da chanceler alemã Angela Merkel venceram hoje, com maioria absoluta, as eleições legislativas, de acordo com estimativas das cadeias de televisão públicas da Alemanha.
As projeções colocam a CDU-CSU com 42.5% dos votos, ligeiramente acima dos 41.6% somados pela totalidade da esquerda.
Angela Merkel poderá governar sozinha, sem necessitar de recorrer a uma coligação com os sociais-democratas (SPD), indicam as estimativas divulgadas às 17.10 TMG (18.10 em Portugal continental).
A última vez que esta situação ocorreu foi em 1957, com o chanceler Konrad Adenauer.
Aos 59 anos, a chanceler alemã confirmou o estatuto de mulher mais poderosa do mundo, ao tornar-se na primeira dirigente europeia a ser reconduzida no cargo, depois da crise financeira e monetária que abalou a UE.
A chanceler deu ao partido CDU o melhor resultado desde a reunificação do país, em 1990, com 42,5% dos votos, uma subida de cerca de nove pontos percentuais relativamente à última eleição em 2009, de acordo com projeções baseadas nos resultados parciais difundidas pela cadeia pública ZDF.
Merkel apareceu sorridente junto dos apoiantes, para se congratular pelo "super-resultado" e prometer "quatro novos anos de êxitos". Considerou ser "demasiado cedo" para se pronunciar sobre o caminho a seguir em termos de alianças.
Mas, a confirmarem-se as projeções, a chanceler poderá dirigir a Alemanha sem parceiro de coligação.
Prudente, Merkel declarou ser preciso "aguardar os resultados definitivos", ao mesmo tempo que sublinhou "já ter o direito de festejar".
A CDU surge bem distante do partido social-democrata (SPD), que com 25,9% dos votos (mais 2,9 pontos) está mais próximo do fraco resultado de há quatro anos.
O aliado liberal de Merkel, o FDP, foi afastado do parlamento pela primeira vez no pós-guerra, com o resultado mais baixo de sempre: 4,6%, de acordo com as projeções.
Os Verdes também baixaram para 8% (menos 2,7 pontos), vítimas de uma má estratégia de campanha e de uma polémica sobre a tolerância passada do movimento relativamente à pedofilia.
A esquerda radical, Die Linke, desceu 3,5 pontos percentuais, com 8,4% dos votos.
Com o segundo pior resultado do pós-guerra, o SPD parece ter sido derrotado pela desastrosa campanha do candidato Peer Steinbruck, repleta de 'gaffes' e polémicas. "Não conseguimos o resultado pretendido", reconheceu Steinbruck.
Em termos de lugares, a CDU-CSU conquistou 304 mandatos num total de 606. Três partidos de esquerda estarão representados no Bundestag: o SPD (185 lugares), o Die Linke (60) e os Verdes (57).
Os eleitores alemães (61,8 milhões) aprovaram a gestão que Merkel fez da crise do euro e de ter sabido proteger a primeira economia europeia. Durante a campanha, a chanceler destacou o bom estado das finanças públicas e a descida do desemprego, para 6,8%.
Nenhum dos seus homólogos de Espanha, França, Itália ou Reino Unido foi reeleito desde o início da crise financeira.
Na Alemanha do pós-guerra, só Konrad Adenauer e o chanceler da reunificação Helmut Kohl cumpriram três mandatos na chefia do governo.
Se a maioria absoluta dos conservadores não for confirmada pelos resultados definitivos, Merkel deverá provavelmente formar "uma grande coligação" com o SPD, como no primeiro mandato (2005-2009).
Um novo movimento anti-euro, criado na primavera, a AfD (Alternativa para a Alemanha) conseguiu um bom resultado, de 4,9%, inferior aos 5% necessários para entrar no parlamento.
