
Protesto no Paquistão
SHAHZAIB AKBER/EPA
Milhares de paquistaneses islamitas de linha dura, indignados com os planos de um deputado de extrema-direita holandês de realizar um concurso de "cartoons" do profeta Maomé, iniciaram uma marcha de protesto em direção à capital, Islamabad.
Cerca de dez mil apoiantes do partido Tehreek-i-Labaik, que ajudou Imran Khan a tornar-se primeiro-ministro após as eleições legislativas do mês passado, participam na marcha e deverão acampar perto de Islamabad ao fim do dia, para instar Khan a cortar relações diplomáticas com a Holanda.
Representações da figura do profeta são proibidas no Islão e consideradas profundamente ofensivas para os muçulmanos, razão pela qual o Governo paquistanês se comprometeu a protestar contra o concurso junto da ONU.
As autoridades cortaram as principais artérias da capital com contentores de carga para impedir os manifestantes de se aproximarem da zona onde se situam a embaixada holandesa e outras.
Horas antes, a polícia deteve a marcha em Jhelum, a cerca de 160 quilómetros de Islamabad, por razões de segurança, mas pouco depois permitiu que prosseguisse, disse o porta-voz partidário Eijaz Ashrafi, citado pela agência noticiosa Associated Press.
Segundo a mesma fonte, os manifestantes recusaram-se a dispersar, defendendo que o Governo de Khan tem duas opções: "Ou corta relações diplomáticas com a Holanda ou, então, a polícia terá que nos matar para pôr fim à marcha e enviar os nossos cadáveres para Lahore".
"Até agora, prevaleceu o bom senso. Estamos a 80 quilómetros de Islamabad", observou.
Ainda em Jhelum, o radical líder do partido, Khadim Hussain Rizvi, também advertiu Khan para remover todos os obstáculos. "Nós estamos na estrada para mostrar ao mundo que podemos morrer para proteger a honra do nosso profeta", disse Rizvi aos manifestantes.
O protesto ocorre num momento em que os ânimos estão exaltados no Paquistão por causa do concurso de "cartoons" que está a ser organizado por Geert Wilders, um deputado holandês da extrema-direita com um historial de declarações incendiárias sobre o Islão.
O Governo holandês distanciou-se da iniciativa, mas frisou estar empenhado em garantir o direito à liberdade de expressão.
Também o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Mohammad Faisal, indicou que Islamabad transmitiu à Holanda a sua profunda preocupação em relação ao concurso de "cartoons" previsto, classificando-o como "uma tentativa deliberada e maliciosa de difamar o Islão", mas acrescentou que o Paquistão evitará qualquer ação extrema desnecessária contra a Holanda por causa do dito certame.
