
Protestos no Bazar em Teerão
Foto: Vídeos partilhados nas redes sociais/ AFP
Os protestos no Irão, desencadeados por dificuldades económicas, espalharam-se por toda o país, disseram esta quinta-feira ativistas, sublinhando que as manifestações estão a desafiar o poder teocrático apesar de não terem liderança.
Até ao momento, a violência em torno das manifestações já matou pelo menos 38 pessoas e mais de 2200 foram detidas, declarou a organização Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos.
"A falta de uma alternativa viável [de liderança] minou os protestos anteriores no Irão", declarou Nate Swanson, do Atlantic Council, sediado em Washington, organização que estuda o Irão. "Há mil ativistas dissidentes iranianos que, se tivessem uma oportunidade, poderiam tornar-se estadistas respeitados, como fez o líder trabalhista Lech Walesa na Polónia, no final da Guerra Fria. Mas, até agora, o aparelho de segurança iraniano prendeu, perseguiu e exilou todos os potenciais líderes transformadores do país", avaliou Nate Swanson.
O crescimento dos protestos aumenta a pressão sobre o Governo civil do Irão e o seu líder supremo, o aiatola Ali Khamenei. Até agora, as autoridades não bloquearam a internet nem mobilizaram forças de segurança em grande escala nas ruas, como fizeram para reprimir os protestos de 2022 contra a morte da jovem Mahsa Amini.
Na quarta-feira, que foi o dia mais intenso de manifestações, os protestos atingiram cidades rurais e grandes centros urbanos de todas as províncias, embora se mantenham ainda muito localizados.
A agência de notícias estatal IRNA, que se tem mantido praticamente em silêncio sobre as manifestações, noticiou uma manifestação em massa em Bojnourd, bem como manifestações em Kerman e Kermanshah.
As autoridades iranianas não reconhecem a dimensão dos protestos. No entanto, houve relatos de agentes de segurança feridos ou mortos. As manifestações continuam hoje, com os comerciantes a encerrarem as suas lojas na província do Curdistão iraniano.

Foto: Atta Kenare / AFP
Apelo feito no exílio
As manifestações, até ao momento, parecem estar sem liderança, tal como outras vagas de protestos no Irão nos últimos anos. No entanto, o príncipe herdeiro exilado do Irão, Reza Pahlavi, filho do falecido Xá, pediu ao povo iraniano que se manifeste, mesmo através das janelas e telhados de suas casas, hoje e sexta-feira à partir das 20 horas (16.30 horas em Portugal continental).
"Onde quer que estejam, seja nas ruas ou mesmo nas vossas próprias casas, convoco-vos a começarem a cantar exatamente a esta hora", disse Pahlavi num vídeo na internet que foi também divulgado pelos canais de notícias satélites iranianos no estrangeiro. "Com base na resposta a este apelo, anunciarei os próximos apelos à ação", referiu Pahlavi.
A participação das pessoas será um sinal de possível apoio a Pahlavi, cujo apoio a Israel e de Israel tem sido alvo de críticas no passado - particularmente após a guerra de 12 dias que Israel travou contra o Irão em junho.
As pessoas manifestaram-se em apoio do Xá em alguns protestos, mas não é claro se isso representa o apoio a Pahlavi ou um desejo de regressar a um tempo anterior à Revolução Islâmica de 1979.
Com o endurecimento das sanções e as dificuldades enfrentadas pelo Irão após uma guerra de 12 dias com Israel em junho, a sua moeda, o rial, caiu a pique em dezembro. Os protestos começaram pouco depois, com as pessoas a manifestarem-se contra a teocracia iraniana.
