Putin acusa Ucrânia de "ataque terrorista" a navio russo que se afundou no Mediterrâneo

Presidente russo classifica de "ataque terrorista" afundamento do Arctic Metagaz e ameaça rever o fornecimento de gás à Europa
Foto: Kristina Solovyova /Sputnik / EPA
Explosões e incêndio destruíram o Arctic Metagaz ao largo da Líbia, com 30 tripulantes resgatados sem feridos. Moscovo acusa Kiev de "ataque terrorista" e admite rever o fornecimento de gás à Europa.
O presidente russo Vladimir Putin acusou a Ucrânia de estar por detrás do incêndio e subsequente afundamento do navio de gás natural liquefeito Arctic Metagaz, ocorrido esta semana no Mediterrâneo central, entre a Líbia e Malta. A embarcação transportava cerca de 61 mil toneladas de GNL quando foi atingida por explosões que desencadearam um fogo de grandes dimensões.
De acordo com a Autoridade Marítima da Líbia, o incidente registou-se na terça-feira, a cerca de 240 quilómetros a norte de Sirte. As autoridades locais relataram "explosões súbitas, seguidas de um incêndio massivo", acrescentando que o navio acabou por se afundar completamente. Os 30 tripulantes foram resgatados e encaminhados para Benghazi, sem feridos.
Drones marítimos no centro das acusações
Numa intervenção transmitida pela televisão estatal russa, Putin classificou o episódio como "um ataque terrorista". "Não é a primeira vez que nos deparamos com algo assim", sublinhou. O chefe de Estado russo defendeu ainda que o sucedido "agrava a situação nos mercados globais de energia, incluindo os mercados do gás".
O Ministério dos Transportes da Rússia indicou anteriormente que o navio terá sido atingido por drones marítimos ucranianos lançados a partir da costa líbia, mas não divulgou provas que sustentem essa versão. Moscovo descreveu o caso como "um ato de terrorismo internacional e pirataria marítima".
Kiev não confirmou qualquer envolvimento. O Serviço de Segurança da Ucrânia, SBU, limitou-se a referir que não comentaria "a situação com o navio no Mediterrâneo". Em dezembro, a Ucrânia afirmou ter atingido um petroleiro russo no Mediterrâneo com drones aéreos, no que descreveu como o primeiro ataque desse tipo naquela zona desde o início da guerra em grande escala, iniciada em 2022.
O Arctic Metagaz tinha partido de Murmansk, no norte da Rússia, com destino a Port Said, no Egito. Dados da plataforma MarineTraffic indicam que a última posição conhecida foi registada ao largo da costa sudeste de Malta, na véspera do incêndio. Presume-se que o sistema automático de identificação tenha sido desligado antes do incidente.
O navio era apontado como parte da chamada "frota sombra" russa, composta por embarcações usadas para transportar petróleo e gás contornando sanções ocidentais. Estava incluído nas listas de restrições impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
No mesmo discurso, Putin sugeriu que a Rússia poderá redirecionar exportações energéticas para outros destinos. "E agora outros mercados estão a abrir-se", afirmou. "Talvez fosse mais rentável para nós parar agora o fornecimento ao mercado europeu. Avançar para esses mercados que estão a abrir-se e estabelecer-nos lá." O presidente acrescentou que "não é uma decisão", descrevendo as declarações como uma reflexão em voz alta, mas garantiu que dará instruções ao Governo para analisar o tema com as empresas do setor.

