
O banco suíço UBS comprou o Credit Suisse numa aquisição de emergência em 2023
Foto: Fabrice Coffrini / AFP
Uma nova investigação ao Credit Suisse descobriu 890 contas com ligações a oficiais e industriais nazis, afirmou um senador norte-americano na terça-feira, depois de ter afirmado que o banco suíço tinha tido um papel oculto nos crimes da Segunda Guerra Mundial.
Entre os titulares das contas estavam o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, a organização paramilitar SS e uma empresa alemã fabricante de armas, disse o senador republicano norte-americano Chuck Grassley, numa conferência de imprensa, antes de uma audição do Comité Judiciário sobre a facilitação do Holocausto por parte dos bancos. No entanto, não forneceu detalhes sobre quanto dinheiro poderia estar depositado nas contas ou qual a sua situação atual.
As organizações faziam parte do regime nazi sob o comando do líder alemão Adolf Hitler, que possibilitou o Holocausto, matando cerca de 6 milhões de judeus.
O Comité Judiciário do Senado, presidido por Grassley, ouviu na terça-feira mais detalhes sobre a investigação conduzida pelo advogado norte-americano Neil Barofsky. O banco suíço UBS, que comprou o Credit Suisse numa aquisição de emergência em 2023, contratou-o para conduzir a investigação. Barofsky já tinha liderado um inquérito anterior, quando o Credit Suisse era independente, mas afirmou que o banco tentou obstruir o trabalho e o demitiu.
Na audiência de terça-feira, Barofsky acusou o Credit Suisse de estar disposto, durante o Holocausto, a confiscar dinheiro de contas de judeus e a transferi-lo para clientes nazis. Garantiu ainda que a investigação permitiu averiguar que as relações bancárias do Credit Suisse com a SS eram mais extensas do que aquilo que tinha sido divulgado anteriormente e que o braço económico da SS mantinha uma conta no banco, de acordo com o depoimento.
Também surgiram novos detalhes sobre as ligações do banco a um esquema para ajudar nazis a fugir para a Argentina no pós-guerra, disse Barofsky.
Tanto o UBS como o Credit Suisse pediram desculpa e chegaram a um acordo global em 1999, que punha termo a todas as revindicações, incluindo as futuras, com o objetivo de terminar com a controvérsia, disse o UBS, considerando esta nova investigação uma iniciativa voluntária.
O UBS afirmou que aceita e lamenta profundamente que a Segunda Guerra Mundial tenha sido um período sombrio na história do setor bancário suíço. Ao adquirir o Credit Suisse, o gigante bancário comprometeu-se a retomar a investigação e, desde então, tomou medidas abrangentes para facilitar a análise de Barofsky, afirmou o presidente do UBS Americas, Robert Karofsky, na audiência. "Agora, com três anos de experiência, a nossa prioridade é concluir este inquérito para que o Mundo possa beneficiar das conclusões do relatório final que será publicado em breve", defendeu.
A investigação deverá ser concluída no início do verão, de acordo com assessores do Comité Judiciário do Senado, e o relatório final deverá estar pronto no final do ano.

