
O número de queixas, relativas a várias décadas, sobre alegados abusos sexuais do ex-apresentador de televisão britânico Jimmy Savile, falecido no ano passado com 84 anos, continua a subir todas as semanas, estando já perto das 300, segundo as autoridades policiais britânicas.
O escândalo sobre os alegados abusos sexuais de Jimmy Savile rebentou, há cerca de duas semanas, após a transmissão de um documentário na ITV com testemunhos de várias vítimas. Tratava-se de mulheres que diziam ter sido violentadas pelo ex-apresentador na década de 70, quando ainda eram menores de idade.
Desde então, a polícia disse ter recebido e estar a investigar dezenas de queixas relativas a várias décadas, levando a BBC e o Serviço de Saúde britânico a anunciar a abertura de vários inquéritos internos.
As autoridades acreditam que Savile possa ter abusado sexualmente de raparigas e até rapazes durante um período de 40 anos.
"Estas alegações deixam muitas instituições, particularmente a BBC, com questões muito sérias a responder, sobretudo a questão sobre como é que foi permitido que ele o fizesse durante tanto tempo", disse o primeiro-ministro britânico David Cameron, na sessão semanal de respostas aos deputados, no Parlamento.
Entre as vítimas, está uma sua sobrinha-neta, Caroline Robinson, de 49 anos, que acusou Savile de ter abusado sexualmente dela quando tinha 12 anos. Numa entrevista à Radio BBC 5, revelou: "Quando eu estava a ler sobre as vítimas no jornal, era como se estivesse a ver uma imagem refletida daquilo por que passei".
Caroline Robinson recordou que, um dia, quando tinha 12 anos, Savile pediu que se sentasse no seu colo. Notou que ele ficou excitado sexualmente e colocou as mãos na sua roupa interior. Caroline afirmou que fugiu do colo dele, correndo pelas escadas acima em lágrimas, mas que nunca foi capaz de contar aos pais o que se passou.
No momento, as autoridades suspeitam que Jimmy Savile não terá agido sozinho, razão pela qual as investigações procuram, agora, outros indivíduos que possam ter participado, também, no abuso sexual de crianças e adolescentes com a colaboração do ex-apresentador.
De momento, a polícia está a inquirir três médicos, identificados por muitos dos que apresentaram queixa contra o ex-apresentador. Os três clínicos trabalharam em hospitais onde Savile teria abusado sexualmente de crianças.
O diário "Daily Mail" cita, esta quarta-feira, uma mulher de 52 anos que afirma ter sido abusada sexualmente, desde os 14 anos e todos os quinze dias durante quatro anos por um médico do hospital de Stoke Mandeville. "Não tenho dúvidas de que existia em Stoke Mandeville um conjunto de pessoas que abusavam de crianças", revelou.
No quadro das atividades caritativas, Savile dispunha de um quarto no hospital de Stoke Mandeville (no centro de Inglaterra) e de um alojamento no hospital psiquiátrico de Broadmoor (no sul). De igual forma, o ex-apresentador deslocava-se, com frequência, a um hospital na cidade de Leeds (norte de Inglaterra).
