Relatório sobre telefonema comprometedor sobre "alguém próximo" de Trump foi ocultado

Tulsi Gabbard é diretora da Inteligência Nacional dos Estados Unidos
Foto: Chip Somodevilla /Getty Images
Tulsi Gabbard, diretora dos Serviços de Informação Nacionais dos Estados Unidos, terá ocultado um relatório que mencionava uma chamada telefónica intercetada pelos serviços secretos, sobre alguém próximo do presidente Donald Trump.
Os membros do Congresso dos Estados Unidos (EUA) foram informados esta semana sobre uma denúncia relativa a uma interceção de uma chamada telefónica entre dois estrangeiros, que discutiam sobre uma pessoa próxima do presidente Donald Trump, segundo disseram fontes familiarizadas com o material ao jornal norte-americano "The New York Times".
Não se sabe de que país eram os estrangeiros, mas a conversa envolvia o Irão. A queixa foi redigida em maio, altura em que a administração Trump deliberava sobre um ataque ao Irão (concretizado em junho). A identidade da pessoa próxima de Trump e o conteúdo da conversa não foram revelados.
A existência da denúncia, que se tornou pública numa reportagem do "The Wall Street Journal", gerou debates no Capitólio sobre a importância do documento e da informação de inteligência que o fundamenta.
O denunciante acusou Tulsi Gabbard, diretora dos serviços de informações, de limitar o acesso ao relatório e de bloquear a sua ampla distribuição entre as agências de espionagem do país, segundo pessoas familiarizadas com a denúncia.
As pessoas que analisaram o relatório do denunciante divergiram sobre a importância e veracidade das informações recolhidas pela Agência Nacional de Segurança (NSA). Segundo o "The New York Times", alguns analistas concluíram que os dois estrangeiros estavam a fazer mexericos ou a espalhar desinformação deliberadamente.
Nesse sentido, Gabbard terá agido para restringir a visibilidade do relatório, mas informou Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca. O inspetor-geral interino da comunidade de inteligência ilibou Gabbard de qualquer irregularidade, após esta ter respondido a questões sobre as suas ações.
Algumas pessoas, incluindo críticos do Governo, que analisaram o relatório e consideraram as informações de inteligência significativas, concordaram que Gabbard não agiu de forma inadequada ao restringir a distribuição do relatório.
As autoridades do Congresso apenas tomaram conhecimento da denúncia, mas não do seu conteúdo, quando Andrew Bakaj, advogado do denunciante, enviou uma carta às comissões de inteligência em novembro.
Os líderes do Congresso têm pressionado a NSA e o gabinete de Gabbard para que lhes forneçam uma cópia do relatório original, para que as comissões de supervisão o possam analisar. Uma cópia do relatório do inspetor-geral, com muitas partes censuradas, foi fornecida ao Congresso.

