
Primeiro ano de mandato de Trump ajudou o relógio a aproximar-se da meia-noite
Foto: Chip Somodevilla / Getty Images
O "Relógio do Juízo Final", que representa a proximidade da humanidade de uma catástrofe, aproximou-se mais do que nunca da meia-noite, à medida que aumentam as preocupações com as armas nucleares, as alterações climáticas e a desinformação.
O Boletim dos Cientistas Atómicos, que criou o relógio metafórico no início da Guerra Fria, passou a contar 85 segundos para a meia-noite - quatro segundos mais perto do que há um ano. O anúncio surge um ano após o início do segundo mandato de Donald Trump, que rompeu com a comunidade internacional, ao ordenar ataques unilaterais e ao retirar-se de uma série de organizações internacionais.
A Rússia, a China, os EUA e outros países importantes "tornaram-se cada vez mais agressivos, adversários e nacionalistas", aponta um comunicado anunciando a mudança de relógio, determinada após consultas a um conselho que inclui oito laureados com o Prémio Nobel.
"Os entendimentos globais duramente conquistados estão a entrar em colapso, acelerando uma competição de grandes potências em que o vencedor leva tudo e minando a cooperação internacional crítica para reduzir os riscos de guerra nuclear, alterações climáticas, uso indevido da biotecnologia, a ameaça potencial da inteligência artificial e outros perigos apocalípticos".
O conselho do "Relógio do Juízo Final" alerta para o aumento dos riscos de uma corrida às armas nucleares, com o novo tratado de redução de armas nucleares START entre os EUA e a Rússia a expirar na próxima semana e Trump a promover um caro sistema de defesa antimísseis, "Golden Dome", que militarizaria ainda mais o Espaço.
Alertou também para os níveis recorde de emissões de dióxido de carbono, o principal fator de aquecimento do planeta, depois de Trump ter invertido drasticamente a política dos EUA em matéria de luta contra as alterações climáticas e de vários outros países terem também recuado.
Os membros do Conselho de Administração alertaram para a quebra da confiança global.
"Estamos a viver um Armagedão da informação - a crise por detrás de todas as crises - impulsionado pela tecnologia extrativa e predatória que espalha mentiras mais rapidamente do que factos e lucra com a nossa divisão", disse Maria Ressa, jornalista de investigação filipina e vencedora do Prémio Nobel da Paz.
O Bulletin of Atomic Scientists, fundado por Albert Einstein, Robert Oppenheimer e outros cientistas nucleares da Universidade de Chicago, colocou inicialmente o relógio a sete minutos da meia-noite em 1947. No ano passado, o relógio foi colocado mais perto, mas por apenas um segundo, no meio de esperanças cautelosas sobre as promessas de paz do recém-reeleito Trump.
