
Havana tem sofrido com um agravamento do bloqueio desde a queda de Nicolás Maduro, na Venezuela
Foto: Yamil Lage / AFP
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, criticou esta segunda-feira a pressão económica dos Estados Unidos sobre Cuba, considerando-a inaceitável e contrária ao Direito Internacional.
"O lado russo reafirmou a sua posição de princípio sobre a natureza inaceitável da pressão económica exercida sobre Cuba, incluindo a interrupção do fornecimento de energia à ilha", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado divulgado após uma conversa telefónica com o seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez.
A crítica ocorre no contexto de uma ordem executiva assinada na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que autoriza a imposição de tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, alegando que a ilha constitui uma "ameaça invulgar e extraordinária" para a segurança e a política externa norte-americana. O Governo russo insistiu que as medidas unilaterais de Washington contra estados soberanos independentes são "categoricamente inaceitáveis" e violam normas do Direito Internacional, segundo a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.
No mesmo comunicado, Moscovo reafirmou a sua intenção de manter laços económicos com Cuba "apesar dos obstáculos externos ao seu desenvolvimento", destacando a importância de relações bilaterais estáveis entre os dois países.
Rodríguez, por sua vez, confirmou a resposta de Cuba a qualquer pressão económica ou militar, alertando para o risco de uma deterioração da situação humanitária na ilha caso continue a interrupção do fornecimento energético.
O chefe da diplomacia russa acrescentou que a conversa com o responsável cubano abordou "questões prioritárias da cooperação bilateral e a agenda internacional" e manifestou a "firme vontade" de Moscovo de continuar a apoiar Havana em termos políticos e materiais, segundo o comunicado do Ministério.
A crise económica e energética em Cuba agravou-se recentemente após a suspensão de carregamentos de petróleo venezuelano e o receio gerado pela nova política dos Estados Unidos, que busca desencorajar o fornecimento de combustível por terceiros.
