
Protestos encheram as ruas de Chisinau, na Moldávia, exigindo a demissão da Comissão Eleitoral
DUMITRU DORU/EPA
Os candidatos pró-russos Igor Dodon e Rumen Radev venceram as eleições presidenciais de domingo na Moldávia e na Bulgária.
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As primeiras eleições presidenciais decididas por voto direto dos cidadãos moldavos e não do Parlamento foram ganhas pelo candidato pró-russo Igor Dodon. Com 52% dos votos, o líder do Partido Socialista venceu a candidata pró-europeia por uma diferença de 73 mil votos. A derrotada Maia Sandu fala em fraude.
A ex-república soviética parecia estar a aproximar-se à Europa nos últimos sete anos, mas os moldavos acabaram por escolher este domingo o candidato que prometeu um referendo questionando se o país deveria ou não manter o acordo comercial que assinou com Bruxelas em 2014. A proposta é apoiada pelos cidadãos, vítimas dos embargos comerciais impostos pela Rússia desde então.
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Durante a campanha, Dodon prometeu estreitar os laços comerciais com Moscovo. Apesar da aproximação à Europa, os desvios de dinheiro equivalentes a cerca de um sexto do PIB do país em 2014, nos quais vários políticos - incluindo o primeiro-ministro Vlad Filat, que acabou detido - estiveram implicados, atiraram o país para uma crise económica e política.
Esta segunda-feira ficou marcada por protestos. Os apoiantes de Sandu pedem "novas eleições sem fraude" e dizem não se sentir representados por Igor Dodon, que já reagiu: "Sou o Presidente de todo o país. Daqueles que votaram em mim e dos que votaram contra".
De acordo com os meios de comunicação moldavos, terão sido perdidos seis mil boletins de voto que vinham para Portugal. Mas a Comissão Eleitoral garantiu que chegaram ao destino intactos e apresentou vídeos como prova.
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A tendência pró-Moscovo também marcou pontos na Bulgária, onde 60% dos eleitores escolheram Rumen Radev, um independente apoiado pela oposição socialista e que defendeu o levantamento das sanções impostas à Rússia pela União Europeia. O primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, que apoiava a ex-presidente do país, Tzetzka Tsacheva, reagiu com a demissão, obrigando o país a antecipar as eleições legislativas.
