
Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que tal informação dos serviços de informação russos será levada em conta na hora das negociações de paz
Foto: Maxim Shipenkov / Pool / EPA
A Rússia assegurou esta terça-feira que vai informar os Estados Unidos sobre a alegada tentativa da Ucrânia de obter armas nucleares através do Reino Unido e da França, denunciada pelos serviços secretos russos.
"Com certeza, informaremos os norte-americanos de tudo (...), falaremos especialmente sobre isso com os norte-americanos", afirmou o assessor presidencial Yuri Ushakov à televisão pública russa, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
Ao dirigir-se esta terça-feira à liderança do Serviço Federal de Segurança (FSB) no quarto aniversário da guerra na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou também "tentativas ou planos" de Kiev de "utilizar inclusivamente um componente nuclear".
O Serviço de Espionagem Exterior (SVR) da Rússia revelou num comunicado que Londres e Paris estavam a trabalhar "ativamente (...) na entrega clandestina à Ucrânia de componentes, equipamento e tecnologias" da esfera nuclear. "Consideram que é necessário fornecer à Ucrânia uma "arma milagrosa". Kiev poderia aspirar a condições mais favoráveis para pôr fim à guerra se contasse com bombas atómicas ou, pelo menos, com uma chamada bomba "suja"", afirmou.
Como variante, "estuda-se a ogiva nuclear francesa TN75 dos mísseis balísticos de lançamento submarino M51.1", disse o SVR. A Alemanha "recusou-se sabiamente a participar nesta aventura perigosa", acrescentou.
O porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitry Peskov, disse tratar-se de informação "extremamente importante (...) do ponto de vista da ameaça que representa para todo o regime de não-proliferação nuclear". "Mais ainda no contexto de um conflito bélico no continente europeu", disse na conferência de imprensa telefónica diária, referindo-se à guerra na Ucrânia, que Moscovo designa como uma operação militar especial.
O representante do Kremlin frisou que a Rússia irá "indubitavelmente tomar em conta" a informação divulgada pelo SVR "no âmbito das negociações [de paz] que estão a ser levadas a cabo" sob mediação dos Estados Unidos. "Trata-se de uma violação flagrante de todas as normas e princípios do direito internacional" em matéria de não-proliferação nuclear, acrescentou.
O presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, disse que a câmara de deputados russa vai propor aos parlamentares franceses e britânicos a realização de uma investigação sobre as denúncias da espionagem de Moscovo.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, desencadeando aquela que é considerada como a pior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O conflito causou milhões de vítimas, entre mortos, feridos, refugiados e populações deslocadas, bem como a destruição de muitas cidades e infraestruturas da Ucrânia.
Moscovo exige concessões territoriais para acabar com a guerra, entre outras condições, recusadas por Kiev, que tem contado com o apoio em armamento e ajuda financeira de diversos aliados ocidentais. Os Estados Unidos têm estado a mediar negociações entre Moscovo e Kiev, mas sem resultados até agora.
