
O ex-diretor-geral do FMI Dominique Strauss-Kahn foi esta terça-feira colocado sob custódia em Lille, no norte de França, para ser ouvido pelos investigadores sobre o seu papel num caso de proxenetismo no Carlton e passará a noite na esquadra.
A medida de coação, segundo a qual Dominique Strauss-Kahn (DSK) ficaria sob custódia durante 24 horas por "cumplicidade em proxenetismo agravado em crime organizado" e "ocultação de abuso de bens sociais", foi decretada hoje de manhã, quando se deslocou à esquadra para ser ouvido.
Depois de ter sido ouvido durante todo o dia, foi notificado ao fim da tarde, pelos três juízes de instrução, do prolongamento da custódia por mais 24 horas.
É habitual que os magistrados procedam ao prolongamento de uma custódia antes do fim das primeiras 24 horas, mas este período suplementar só começa após terminadas essas 24 horas, ou seja, neste caso, a partir de quarta-feira de manhã.
Neste tipo de casos, a custódia pode teoricamente durar até 96 horas.
Strauss-Kahn, de 62 anos, será interrogado sobre noites em que esteve presente em orgias, nomeadamente em Paris e em Washington, para determinar se sabia que as mulheres que nelas participaram eram prostitutas.
Várias deslocações de prostitutas foram organizadas e financiadas por dois empresários da região de Lille, Fabrice Paszkowski, responsável de uma empresa de material médico, e David Roquet, ex-diretor de uma filial do grupo de BTP Eiffage.
As autoridades francesas ouviram testemunhos de prostitutas que disseram ter tido relações sexuais com Strauss-Kahn em 2010 e 2011 em hotéis e restaurantes em Paris e em Lille (um dos quais o Carlton), e em Washington, onde vivia o então diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Strauss-Kahn - que chegou a ser considerado um potencial favorito às presidenciais francesas deste ano - reconheceu, em entrevista ao jornalista Michel Taubmann, ter "participado em noites libertinas", mas negou que "as participantes" fossem prostitutas.
Em dezembro, um dos advogados de Strauss-Kahn, Henri Leclerc, reiterou que o cliente desconhecia que as mulheres nestas sessões fossem prostitutas.
"Não era fácil ele saber porque, como podem imaginar, nesse tipo de festas uma pessoa nem sempre está vestida, e desafio-vos a distinguir uma prostituta nua de outra mulher nua qualquer", afirmou Leclerc à rádio Europe 1.
No mesmo processo já foram detidos dois empresários da região de Lille, Fabrice Paskowski e David Roquet. Os dois são acusados de uso fraudulento de fundos das suas empresas para pagar às prostitutas que participavam nas orgias.
Ao todo, já foram investigadas oito pessoas (incluindo funcionários dos hotéis envolvidos) no âmbito do "caso Carlton". Strauss-Kahn queixa-se de estar a ser vítima de um "linchamento mediático".
No ano passado, Struass-Kahn foi acusado por uma criada de um hotel nova-iorquino de violação. Strauss-Kahn reconheceu ter tido relações sexuais com a acusadora mas negou qualquer crime. O caso acabou por ser arquivado, mas o escândalo levou Strauss-Kahn a demitir-se do FMI e a abandonar as ambições presidenciais.
Posteriormente, Strauss-Kahn foi acusado pela escritora Tristane Banon de uma tentativa de violação em 2003. Invocando que o caso ocorrera há demasiado tempo, a justiça francesa acabou por abandonar a investigação.
