Tempestade com sensação térmica que pode chegar aos 45 graus negativos fez 18 mortos nos EUA

Acumulação de neve em Boston
Foto: Getty Images via AFP
Uma enorme tempestade de inverno, com temperaturas polares, atingiu grande parte dos Estados Unidos pelo terceiro dia consecutivo nesta segunda-feira, deixando pelo menos 18 mortos, um milhão de casas sem energia e milhares de voos cancelados.
As autoridades alertaram que uma massa de ar vinda do Ártico fará com que as temperaturas caiam para níveis perigosamente baixos por mais alguns dias, declarando estado de emergência na capital, Washington DC, e mais duas dezenas de estados. Considerada pelos meteorologistas como uma das piores tempestades de inverno nos Estados Unidos em décadas, esta tempestade trouxe fortes navões e acumulação de gelo com consequências potencialmente catastróficas, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês).

Temperaturas negativas em Nova Iorque (Foto: AFP)
O presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, informou que cinco pessoas foram encontradas mortas ao ar livre no fim de semana. "Embora ainda não saibamos as causas dessas mortes, não há lembrete mais forte dos perigos do frio extremo e da vulnerabilidade de muitos moradores, particularmente os nova-iorquinos em situação de sem-abrigo", salientou.
No Texas, as autoridades confirmaram três mortes, incluindo a de uma jovem de 16 anos que morreu num acidente de trenó. No Louisiana, duas pessoas morreram de hipotermia. Além disso, uma pessoa morreu e duas ficaram feridas num acidente relacionado com o mau tempo, no sábado, no sudeste de Iowa, segundo a polícia local. Na Pensilvânia, pelo menos três pessoas morreram em acidentes relacionados com a limpeza de neve.
Quase 820 mil clientes ainda estavam sem energia na manhã desta segunda-feira, principalmente no sul dos Estados Unidos, segundo o site PowerOutage.com. No Tennessee, onde o gelo afetou linhas de eletricidade, mais de 250 mil clientes permaneciam sem energia. Os cortes também afetaram cerca de 100 mil clientes no Louisiana e no Mississippi.

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Vórtice polar
A tempestade está em movimento para nordeste desde domingo, levando fortes nevões para cidades densamente povoadas como Filadélfia, Nova Iorque e Boston. "Continuaremos a monitorizar e a manter contacto com todos os estados no caminho desta tempestade. Mantenham-se seguros e aquecidos!", pediu o presidente Donald Trump, numa mensagem na sua plataforma Truth Social.
Os principais aeroportos de Washington, Filadélfia e Nova Iorque ficaram praticamente paralisados. Pelo menos 19 mil voos foram cancelados desde sábado e milhares de outros sofreram atrasos, segundo o site FlightAware.

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Trump, um cético relativamente às mudanças climáticas, usou a tempestade para fazer um comentário neste sentido: "Por favor: O QUE ACONTECEU COM O AQUECIMENTO GLOBAL?", escreveu na rede social Truth Social.
A tempestade está ligada a uma deformação do vórtice polar, uma massa de ar que normalmente circula sobre o Polo Norte, mas que se deslocou para o sul. Cientistas acreditam que o aumento das perturbações no vórtice polar pode estar relacionado com as mudanças climáticas, embora variações naturais também possam acontecer.
As autoridades alertaram que o frio potencialmente mortal pode persistir por até uma semana após a tempestade nas Grandes Planícies e em outras áreas do centro dos EUA, onde a sensação térmica pode chegar a -45 °C, uma temperatura que pode causar congelamento em poucos minutos.
