
O presidente da República Centro-Africana, Michel Djotodia, decretou três dias de luto nacional, com efeito a partir deste domingo, em memória das vítimas dos massacres, que fizeram pelo menos 300 mortos na capital, Bangui.
"Para honrar a memória dos nossos concidadãos que perderam a vida durante os trágicos acontecimentos, será respeitado um luto de três dias, a partir de 08 de dezembro", declarou Michel Djotodia, numa mensagem difundida pela rádio nacional.
Pelo menos 300 pessoas morreram desde quinta-feira na capital da República Centro-Africana em ataques das milícias contra civis e consequentes represálias, segundo a Cruz Vermelha Centro-Africana.
A situação de segurança tem estado caótica em Bangui, não obstante a presença de tropas francesas devido à violência na cidade desde que milícias de autodefesa cristãs "Anti-Balaka" iniciaram os seus ataques, tendo sido travadas pelas forças de segurança apoiadas pela milícia muçulmana Seleka.
Na sua mensagem, o presidente da República Centro-Africana garantiu, contudo, que a situação está "sob controlo", instando as pessoas a regressarem às suas rotinas.
"Presto homenagem a todos os 'irmãos' dos países africanos que nos ajudaram, de variadas formas, desde que a crise eclodiu", acrescentou Michel Djotodia, expressando igualmente "profunda gratidão e sinceros agradecimentos" à França, em particular ao seu Presidente, François Hollande, por ter defendido a causa da República Centro-Africana junto da comunidade internacional.
A ONU deu "luz verde", na quinta-feira à intervenção francesa no país, em apoio à força pan-africana presente no país (Misca), a qual foi iniciada sob o nome de operação "Sangaris".
Paris anunciou o reforço do contingente no país para 1600 efetivos, contra 1.200 indicados anteriormente.
A República Centro-Africana, com 4,5 milhões de habitantes, mergulhou no caos desde o golpe de Estado de março levado a cabo pela coligação rebelde Séléka, com origem na minoria muçulmana, que afastou do poder o Presidente François Bozizé.
O Presidente da República Centro-Africana decretou um outro luto de três dias - de 13 a 15 de dezembro -, pela memória do antigo chefe de Estado sul-africano Nelson Mandela.
"Concomitantemente à crise que sacode o nosso país, África, ou melhor dizendo, o mundo inteiro chora por um dos seus heróis, a pessoa de Nelson Mandela", disse Michel Djotodia, na mensagem, reproduzida pela agência AFP.
