
Corina entrou a pé no recinto da Casa Branca
Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP
Maria Corina Machado foi recebida, esta quinta-feira, por Donald Trump, na Casa Branca, num primeiro encontro entre ambos, que surge após a atribuição do Nobel da Paz à opositora venezuelana - um prémio cobiçado por Trump - e da captura de Nicolás Maduro, em Caracas. Do almoço à porta fechada, que aconteceu no dia em que os EUA realizaram a primeira venda de petróleo venezuelano, nada se sabe, para além de palavras de circunstância.
Envergando um fato branco, Machado chegou ao complexo da Casa Branca, em Washington, num carro negro que não entrou no recinto. Foi escoltada a pé até ao almoço, sem direito a presença de jornalistas. Após ter sido posta de parte, pelo presidente dos EUA, num possível futuro democrático da Venezuela, a falta de pompa da ocasião será sinal de que pouco mudará num futuro próximo. Ainda assim, Machado terá tentado cortejar Trump, um dia depois de este ter falado ao telefone com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, tecendo elogios e confirmando a sua satisfação com o facto de os aliados de Maduro permanecerem no poder. No final da reunião, Corina disse que continua a contar com Donald Trump "para a liberdade da Venezuela", enquanto era abraçada por alguns apoiantes já no exterior. O presidente dos EUA não comentou o almoço, mas a porta-voz da Casa Branca confirmou que o presidente não tinha mudado se opinião sobre o perfil da opositora venezuelana e a capacidade para liderar o país.
Expetativa do Nobel
Numa tentativa de cair nas boas graças de Trump, Machado ofereceu-se para partilhar o prémio Nobel com o presidente norte-americano, que indicou que ela poderia dá-lo neste encontro, ainda que Instituto Nobel norueguês tenha que os seus prémios não podem ser transferidos. "Sei que ela quer fazer isso. Seria uma grande honra", disse Trump numa entrevista recente à Fox News. Em cima da mesa, ao almoço, terão estado temas como a transição democrática no país e a libertação de presos políticos, um assunto importante para Machado e pelo qual tem batalhados nos últimos anos.
Desde a captura de Maduro, Trump tem dito que os Estados Unidos vão "governar" a Venezuela, mas parece satisfeito em deixar Delcy Rodriguez no poder. Na quarta-feira, Trump disse que Rodriguez era uma "pessoa fantástica" e saudou o "progresso fantástico" da Venezuela. Rodriguez disse que o telefonema foi "produtivo e cortês", e caracterizado por "respeito mútuo". Sobre a conversa, Trump afirmou nas redes sociais que foram debatidos vários temas, "incluindo petróleo, minerais, comércio e, é claro, segurança nacional".
Ausente da conversa, terá ficado qualquer menção a uma transição política, uma questão que Washington deixou de lado para se concentrar nos objetivos económicos, como o acesso ao petróleo venezuelano. Na quarta-feira, os Estados Unidos apreenderam um sexto petroleiro na sua campanha para controlar o produto que sai do país sul-americano, rico em combustíveis fósseis.
Militares apreenderam o petroleiro Veronica nas Caraíbas sem incidentes, numa incursão realizada antes do amanhecer. "O único petróleo que sairá da Venezuela será o petróleo que for coordenado de forma correta e legal", afirmou a Casa Branca. Por outro lado, um funcionário dos EUA disse à AFP, nesta quinta-feira, que a primeira venda de petróleo venezuelano intermediada pelos EUA, no valor de cerca de 500 milhões de dólares, foi finalizada, sem identificar o comprador.
