Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% caso acordo comercial com a China seja finalizado

Esta semana, Trump retirou o convite para o primeiro-ministro canadiano se juntar ao "Conselho da Paz"
Foto: Chip Somodevilla / AFP
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou este sábado impor "tarifas de 100%" sobre as importações do Canadá para os Estados Unidos caso um acordo comercial com a China seja finalizado, após a parceria entre os dois países ter sido anunciada na semana passada.
As relações entre os Estados Unidos (EUA) e o vizinho do norte têm sido tensas desde que Trump regressou à Casa Branca, há um ano, com desentendimentos sobre o comércio e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, a denunciar uma "rutura" na ordem global liderada pelos EUA.
Durante uma visita a Pequim, na semana passada, Carney elogiou uma "nova parceria estratégica" com a China que resultou num "acordo comercial preliminar, mas histórico" para reduzir as tarifas.
"Se Carney pensa que vai transformar o Canadá num "porto de entrega" para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social, acrescentando que a China irá "destruir completamente" os negócios, círculo social e modo de vida do Canadá.
"Se o Canadá fizer um acordo com a China, será imediatamente atingido por uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadianos que entrem nos EUA", ameaçou.
Os dois líderes afiaram as suas retóricas nos últimos dias, começando com o discurso de Carney na terça-feira no Fórum Económico Mundial, em Davos, onde recebeu uma ovação de pé pela avaliação franca de uma "rutura" na ordem global liderada pelos EUA.
O seu comentário foi amplamente interpretado como uma referência à influência disruptiva de Trump nos assuntos internacionais, embora o líder norte-americano não tenha sido mencionado nominalmente.
Trump respondeu a Carney um dia depois no seu próprio discurso e, de seguida, retirou o convite para o primeiro-ministro canadiano se juntar ao "Conselho da Paz" - o seu autodenominado órgão para resolver conflitos globais.
Inicialmente criado para supervisionar a situação na Faixa de Gaza do pós-guerra, o organismo parece ter agora um âmbito muito mais vasto, gerando preocupações de que Trump queira criar um rival para as Nações Unidas.
"O Canadá não existe por causa dos Estados Unidos. O Canadá prospera porque somos canadianos", disse Carney na quinta-feira num discurso à nação, ao mesmo tempo que reconheceu a "notável parceria entre as duas nações".
Disputas comerciais
O Canadá depende fortemente do comércio com os Estados Unidos, destino de mais de três quartos das exportações canadianas.
Setores canadianos importantes, como o automóvel, o do alumínio e o siderúrgico, foram duramente atingidos pelas tarifas setoriais globais de Trump, mas os impactos destas tarifas foram atenuados pela ampla adesão do presidente ao acordo de comércio livre norte-americano existente.
As negociações para a revisão deste acordo estão previstas para o início deste ano, e Trump tem insistido repetidamente que os Estados Unidos não precisam de ter acesso a qualquer produto canadiano - o que teria consequências abrangentes para o vizinho do norte.
Trump também ameaçou repetidamente anexar o Canadá e, esta semana, publicou uma imagem nas redes sociais de um mapa com o Canadá - tal como a Gronelândia e a Venezuela - coberto pela bandeira norte-americana.
