
Gaza registou 463 mortes desde o início da trégua
Foto: Omar Al-Qattaa / AFP
Grupo que vai supervisionar Governo de Gaza pode ter participação do primeiro-ministro do Canadá e líderes da Argentina, Brasil, Egito e Turquia.
O chamado Conselho de Paz do presidente norte-americano, Donald Trump, para a Faixa de Gaza do pós-guerra começou a ganhar forma ontem, com a participação dos líderes do Egito, Turquia, Argentina e Canadá. Os anúncios destes chefes de Estado e de Governo surgiram depois de o presidente dos EUA ter nomeado o seu secretário de Estado, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e os negociadores norte-americanos Jared Kushner e Steve Witkoff para o painel.
Trump já se tinha declarado presidente do organismo, promovendo uma visão controversa do desenvolvimento económico no território palestiniano, que se encontra em ruínas após mais de dois anos de implacável bombardeamento israelita. O anúncio veio após o comité palestiniano de tecnocratas, criado para governar Gaza e que estará sob supervisão do Conselho de Paz, ter realizado a sua primeira reunião no Cairo, que contou com a presença de Kushner, genro de Trump.
No Canadá, um conselheiro sénior do primeiro-ministro, Mark Carney, fez saber que pretendia aceitar o convite de Trump, enquanto na Turquia, um porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan disse que este tinha sido convidado para se tornar "membro fundador" do Conselho. O ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo estava a "estudar" um pedido para que o presidente Abdel Fattah al-Sisi participasse.
Partilhando uma imagem da carta-convite, o chefe de Estado argentino, Javier Milei, escreveu na rede social X que seria "uma honra" participar na iniciativa. Lula da Silva, do Brasil, também foi convidado, segundo a Imprensa do país sul-americano, que informou que este não tinha aceitado ainda a proposta.
Nova fase com rejeições
Tanto o Conselho da Paz quanto o órgão que governará Gaza, partes da segunda fase do cessar-fogo no enclave, foram rejeitados pelos islamitas e pelo israelitas. O grupo Jihad Islâmica criticou a composição do Conselho, frisando que este "foi formado de acordo com os critérios israelitas e para servir os interesses da ocupação, num claro indicador de más intenções preexistentes em relação à implementação dos termos do acordo [de trégua]".
O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, salientou, por sua vez, que "o anúncio sobre a composição do Conselho Executivo de Gaza, subordinado ao Conselho de Paz, não foi coordenado com Israel e contraria a sua política".

