
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem
Foto: Jim Watson / AFP
O presidente norte-americano, Donald Trump, demitiu esta quinta-feira a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, após críticas crescentes à sua liderança no departamento, incluindo na condução da repressão da imigração e na resposta a catástrofes.
Trump, que afirmou que iria nomear o senador republicano Markwayne Mullin, do Oklahoma, para o seu lugar, fez hoje o anúncio nas redes sociais, dois dias depois de Noem, conhecida como "Barbie do ICE", ter sido questionada no Capitólio por membros do Partido Republicano e também do Partido Democrata.
O republicano revelou ainda que vai nomear Noem como "Enviada Especial para a Proteção das Américas", uma nova iniciativa de segurança que, segundo o chefe de Estado norte-americano, se vai focar no hemisfério ocidental.
Segundo os meios de comunicação social norte-americanos, Donald Trump tomou a decisão após as audições no Congresso com Kristi Noem, durante as quais esta foi questionada sobre a atribuição de um importante contrato governamental.
Os métodos autoritários da secretária da Segurança Interna e a sua excessiva sede de promoção precipitaram a queda da ex-governadora do Dakota do Sul, de 54 anos, noticiou a agência France-Presse (AFP).
Após a morte, em janeiro, de um segundo cidadão norte-americano assassinado por um polícia federal em Minneapolis, Donald Trump enviou para o local o seu responsável pela política de imigração, Tom Homan, uma medida interpretada como uma possível repreensão à secretária.
Sobre a morte do paramédico Alex Pretti, morto a 24 de janeiro por um agente da Patrulha de Fronteiras, Kristi Noem alegou imediatamente legítima defesa em nome do atirador, algo que já o tinha feito após a morte de Renee Good em 7 de janeiro, baleada em Minneapolis por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), uma alegação rapidamente refutada pela análise das imagens de vídeo do tiroteio fatal.
Em novembro, quando intimada por um juiz federal para explicar a sua decisão de anular a sua ordem de suspender as deportações para El Salvador ao abrigo de uma lei de "estrangeiros inimigos" de 1798, a administração Trump reconheceu que a decisão tinha sido tomada pela própria Kristi Noem.
A secretária da Segurança Interna chegou a visitar a mega-prisão de Cecot em março de 2025, pouco depois das deportações, posando para as câmaras durante a visita.
Mãe de três filhos, Noem, que cresceu num rancho, é considerada um dos pilares do movimento "Make America Great Again" (MAGA), que une os mais fervorosos apoiantes de Trump dentro do Partido Republicano.
Defende posições ultraconservadoras em todas as questões polémicas, desde o aborto e a imigração ao porte de armas, com as quais posa abertamente.
Kristi Noem, que chegou a ser considerada uma possível candidata a vice-presidente de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024, viu as suas ambições frustradas pela controvérsia gerada por uma revelação no seu livro de memórias, ainda inédito.
Nele, relatou ter sido obrigada a disparar sobre a sua jovem cadela, chamada "Cricket", que tinha cerca de um ano e dois meses de idade, devido à sua natureza indomável e indisciplinada, provocando indignação numa sociedade norte-americana profundamente apegada aos animais de estimação.
Kristi Noem explicou que queria mostrar que estava preparada, tanto na política como na sua vida pessoal, para fazer o que fosse necessário, mesmo que fosse "desagradável" e "difícil".
Em maio, a procuradora-geral foi ridicularizada após uma audição no Senado em que confundiu o princípio do "habeas corpus", que garante direitos fundamentais nos Estados Unidos, com o que alegou ser o poder do Presidente de deportar imigrantes a seu bel-prazer.
