
Bali
EPA/MADE NAGI
Milhares de pessoas visitam diariamente cidades como Veneza e paraísos naturais como Bali. Se, por um lado, contribuem para o crescimento económico, representam também uma ameaça a templos e locais sagrados. O equilíbrio é cada vez mais difícil de manter.
Veneza é um dos destinos europeus mais em voga. Segundo a CNN, são mais de 50 milhões de turistas que todos os anos visitam a cidade que tem 200 mil habitantes. A famosa Praça de São Marcos e o Palácio Ducal são dois dos pontos mais visitados.
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Selfies, pessoas sentadas no chão a comer ou a apanhar sol de biquíni. Este é um cenário cada vez mais comum na cidade italiana. É, também, a principal razão que leva os responsáveis locais a desenvolver um plano que prevê multas para os turistas mal comportados. As coimas podem ir até 500 euros e pretendem punir quem tome banho nos canais, se deite em cima de monumentos históricos ou se sente no chão a comer.
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A proposta, que carece ainda de aprovação, está a dividir os membros da Assembleia Municipal. O artigo 35 é, segundo avança o jornal "El País", o menos consensual. Pretende impedir que os turistas se sentem no chão do centro histórico ou nas calçadas dos principais monumentos. Visa também multar quem use os bancos de jardim como zona de piquenique.
Nem as estrelas de cinema escapam à polémica
Há poucas semanas, durante o Festival de Cinema de Veneza, o ator Stefano Accorsi, que desempenhou o papel de Salgueiro Maia no filme "Capitães de Abril", incendiou o debate nas redes sociais, ao publicar uma foto a comer na Praça de São Marcos.
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Ernesto Pancin, da associação de serviços públicos da cidade, criticou o ator italiano por dar um mau exemplo aos turistas que visitam Veneza. A resposta não demorou e o marido da atriz Bianca Vitali explicou que àquela hora não havia nenhum restaurante aberto além de uma pizaria. "Na verdade, parece-me uma maneira bonita de apreciar a beleza da Itália", atirou.
Quando o paraíso é ameaçado pelos turistas mal comportados
O governo da Indonésia espera receber durante 2018 sete milhões de turistas, só em Bali. De acordo com o jornal "Jakarta Post", são gastos anualmente sete milhões de euros na promoção turística da ilha.
Um investimento que tem sido rentável, mas que pode estar a funcionar numa lógica de Cavalo de Troia. Segundo o jornal "The Guardian", as autoridades de Bali estão preocupadas com os turistas mal comportados que não respeitam os famosos templos da ilha.
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Tjokorda Oka Artha Sukawati, do governo de Bali, manifestou preocupação no que toca ao crescimento de casos de desrespeito pelos artefactos sagrados das comunidades locais. Nas próximas semanas vai ser reavaliado o sistema de visitas aos famosos templos. Os turistas podem deixar de poder andar sozinhos nos principais pontos sagrados de Bali.
O debate ganhou mais força depois da foto de um turista dinamarquês, sentado em cima de uma figura religiosa, se ter tornado viral nas redes sociais. A Indonésia é conhecida pelas leis contra a blasfémia e a comunidade Hindu há já algum tempo que tem demonstrado preocupação face à falta de respeito de quem vem de fora. "É porque somos muito abertos ao turismo", disse Tjokorda.
Mas não são apenas os templos que preocupam os responsáveis locais. É que os turistas mal comportados estão a contribuir para a má imagem da ilha, podendo afastar outros turistas daquele que é um dos pontos mais visitados na Ásia.
