Israel continua, sem grandes pressas, a retirar-se da Faixa de Gaza onde, esta terça-feira, deve chegar o secretário-geralda ONU, Ban Ki-Moon. Quanto à reconstrução (mais de mil milhões de euros) , a UE quer saber quem é o interlocutor palestiniano.
Temendo que com a retirada de Israel a Faixa de Gaza volte a uma situação totalmente comandada pelo Hamas, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas, exige a criação de um governo de unidade nacional.
O objectivo do novo Executivo, diz Abbas, é "trabalhar para colocar fim à violência israelita" que fez mais de 1 200 mortos e cinco mil feridos, "bem como dotar Gaza com um governo que esteja unido no que é possível e deixe o impossível para mais tarde".
No entanto, no âmbito do que é possível, Abbas enquadra a criação de um Estado palestiniano independente com capital em Jerusalém.
Entretanto, a comissária europeia para as Relações Externas confirma a chegada rápida de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, mas previne que a reconstrução de edifícios só começará quando a União Europeia encontrar um interlocutor palestiniano aceitável.
"Para a reconstrução, precisamos de um interlocutor do outro lado, por isso, como vamos fazer? Haverá um processo de reconciliação entretanto? O que vai ser feito? Está tudo em aberto", disse a comissária Benita Ferrero-Waldner, durante uma visita a Jerusalém.
Ferrero-Waldner não se referiu concretamente ao Hamas, mas sustentou que será difícil investir na reconstrução de Gaza enquanto o movimento mantiver a oposição aos esforços internacionais pela paz na região.
A UE considera o movimento radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde Junho de 2007, uma organização terrorista, pelo que limita os contactos oficiais à Autoridade Palestiniana, da moderada Fatah.
"Não queremos continuar a reconstruir Gaza durante não sabemos quantos anos mais. Não é isso que queremos. O que queremos é ver claramente uma paz sustentada", disse.
Por outro lado, a Presidência checa da UE anunciou a presença, amanhã, da chefe da diplomacia de Israel, Tzipi Livni, para um encontro em Bruxelas com os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus sobre a consolidação do cessar-fogo em Gaza.
A Presidência checa anunciou igualmente ter convocado os ministros dos Negócios Estrangeiros para um outro encontro, domingo, com os chefes das diplomacias palestiniana, egípcia, jordana e turca. Segundo fonte diplomática europeia, os encontros visam "tentar consolidar o cessar-fogo em Gaza e relançar o processo de paz do Médio Oriente".
Enquanto isso, a Sociedade Islâmica de Estudantes da Universidade de Teerão convidou os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, para comemorar a retirada das tropas israelitas, facto que o grupo considerou uma "vitória".
