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Importantes bombardeamentos russos sobre a Ucrânia na noite de sexta-feira para sábado causaram, pelo menos, um morto e 15 feridos em Kiev e Kharkiv, no nordeste, informaram as autoridades locais.
Todo o território ucraniano se encontra em estado de alerta devido a ataques aéreos, com as autoridades militares da capital a alertar para a ameaça de drones e mísseis balísticos.
Em Kiev, foram registados danos em cinco bairros, provocando incêndios e quebrando as janelas de uma clínica privada e de uma casa residencial, segundo o presidente da câmara Vitali Klitschko. "Um morto e quatro feridos foram registados. Três feridos foram hospitalizados", precisou Klitschko na rede de mensagens Telegram, referindo-se a perturbações no abastecimento de aquecimento e água em alguns bairros periféricos, apesar das temperaturas abaixo de -10 °C.
Em Kharkiv, o presidente da câmara Igor Terekhov relatou um ataque com drones Shahed de fabrico iraniano, que danificou vários edifícios residenciais, bem como um alojamento para deslocados, um hospital e uma maternidade desta grande cidade perto da fronteira russa. "Há agora 11 feridos registados", afirmou, também através do Telegram.
Conversações de paz em Abu Dhabi
A Ucrânia denunciou os ataques russos durante a noite acontecem numa altura em que ucranianos, russos e norte-americanos participam em conversações em Abu Dhabi. "Com cinismo, [Vladimir] Putin ordenou um ataque de mísseis brutal e massivo contra a Ucrânia no momento em que as delegações se reúnem em Abu Dhabi para fazer avançar o processo de paz liderado pelos norte-americanos", disse o chefe da diplomacia Andrii Sybiga. "Esforços de paz? Reunião trilateral nos Emirados Árabes Unidos? Diplomacia? Para os ucranianos, foi mais uma noite de terror russo", afirmou Sybiga nas redes sociais, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Rússia atacou a Ucrânia com 370 drones e 21 mísseis, atingindo vários edifícios civis, incluindo uma maternidade em Kharkiv.
As conversações em Abu Dhabi são as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscovo e Kiev sobre o plano norte-americano para o fim da guerra. O conflito causou dezenas de milhares de mortos desde que a Rússia iniciou uma invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
No final do primeiro dia de conversações, Zelensky declarou que era "ainda demasiado cedo para tirar conclusões". "É necessário que não apenas a Ucrânia queira acabar com esta guerra e alcançar uma segurança total, mas que uma vontade semelhante surja também na Rússia", acrescentou.
A presidência russa, que afirmou esperar negociações difíceis, reiterou previamente a exigência de que Kiev retirasse as forças dos territórios industriais e mineiros do leste da Ucrânia, atualmente controlados, em grande parte, pelas forças russas.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a questão dos territórios continua a ser o principal ponto de bloqueio nestas negociações, que decorrem num contexto difícil para a Ucrânia, em cuja frente de batalha as suas tropas estão em recuo há quase dois anos diante de um adversário mais numeroso e melhor armado, com Kiev a depender em grande parte do apoio financeiro e militar ocidental.
No terreno, a rede energética do país foi severamente danificada por uma série de ataques russos, provocando cortes de eletricidade e aquecimento em grande escala devido às temperaturas gélidas, especialmente em Kiev.
