União Europeia aprova acordo comercial do Mercosul com voto contra de França e Irlanda

Protesto de agricultores em Bruxelas.
Foto: Nicolas Tucat / AFP
Os países da União Europeia aprovaram hoje o acordo comercial com o enorme bloco de países sul-americanos Mercosul, que divide opiniões, revelaram diplomatas à AFP, dando a Bruxelas luz verde para assinar um acordo defendido por grupos empresariais, mas detestado por muitos agricultores europeus.
A maioria dos 27 países da União Europeia votou a favor do pacto numa reunião de embaixadores em Bruxelas, apesar da oposição de França, Irlanda e outros países preocupados com o seu impacto no sector agrícola, disseram vários diplomatas europeus à AFP.
Macron, confrontado com a pressão dos agricultores que se manifestaram em Paris, salientou ontem que "França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado há demasiado tempo com base em fundamentos demasiado antigos".
O presidente francês considerou ainda que "embora a diversificação comercial seja necessária, o ganho económico do acordo UE-Mercosul será limitado para o crescimento francês e europeu. Não justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais para a nossa soberania alimentar".
De acordo com a Comissão Europeia, o acordo com o Mercosul representará mais 0,05% do produto interno bruto (PIB) da UE até 2040.
No entanto, o governante saudou os avanços obtidos em Bruxelas: "uma cláusula de salvaguarda específica", uma espécie de "travão de emergência" às importações agrícolas dos países latino-americanos do Mercosul em caso de desestabilização do mercado na Europa, mas também "medidas de reciprocidade nas condições de produção" e controlos reforçados.
"Muitos desses progressos ainda precisam de ser finalizados, e a França velará por isso", disse.
