Ursula von der Leyen promete investimento na segurança do Ártico perante "poder bruto"

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
Foto. Yoan Valat/EPA
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu, esta quarta-feira, trabalhar num pacote de apoio à segurança no Ártico com "forte aumento do investimento europeu na Gronelândia", face ao que classificou como "poder bruto" dos Estados Unidos.
"A Europa prefere o diálogo e as soluções, mas está plenamente preparada para agir, se necessário, com unidade, urgência e determinação. Mas, para além disso, precisamos da nossa própria abordagem estratégica e é por isso que estamos a trabalhar num pacote de apoio à segurança no Ártico", com "um forte aumento do investimento europeu na Gronelândia, em particular para apoiar ainda mais a economia local e as infraestruturas", disse a líder do executivo comunitário, num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Isso passa, desde logo, por "duplicar o apoio financeiro" da UE, no âmbito do próximo orçamento comunitário, acrescentou Von der Leyen, defendendo porém que a União tem de "fazer mais e fazê-lo mais rapidamente".
Face às ameaças norte-americanas relativas à Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, Ursula von der Leyen admitiu que é um "mundo definido pelo poder bruto, seja ele económico ou militar, tecnológico ou geopolítico", com o qual a UE "tem de lidar".
Apesar de vincar que a UE "concorda com os amigos norte-americanos quanto à necessidade de garantir a segurança da região do Ártico", a responsável considerou que as tarifas adicionais propostas pelos Estados Unidos face à ocupação norte-americana da Gronelândia "são simplesmente erradas".
"Se entrarmos agora numa perigosa espiral descendente entre aliados, isso apenas encorajará os mesmos adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora do nosso espaço estratégico", salientou.
Reconhecendo as potencialidades do território autónomo da Dinamarca em termos de matérias-primas críticas e de rotas marítimas globais emergente, a líder do executivo comunitário avisou: "Acima de tudo, a Gronelândia é a casa de um povo livre e soberano, é uma nação com soberania própria e com direito à integridade territorial e o futuro da Gronelândia cabe apenas aos gronelandeses decidir".
Von der Leyen disse ainda que a UE "tem de reavaliar a sua estratégia de segurança mais abrangente" para se "adaptar às novas realidades atuais", que incluem também tensões no Irão, na Ucrânia, no Médio Oriente e no Indo-Pacífico.
Quanto à Gronelândia, a UE tem vindo a afirmar que tem todos os instrumentos sobre a mesa, preferindo porém dialogar com os Estados Unidos após ameaças tarifárias.
Segundo fontes europeias, os países da UE admitem avançar com tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos no valor de cerca de 93 mil milhões de euros (direitos aduaneiros sobre a importação de produtos norte-americanos como whisky e manteiga de amendoim que estão suspensos até fevereiro) ou com a utilização do novo instrumento anticoerção do bloco comunitário (uma 'bazuca' comercial com limites às trocas comerciais ou aos investimentos).
Isto caso Donald Trump avance com tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).
No verão passado, as tensões comerciais entre Bruxelas e Washington foram sanadas através de um acordo comercial que prevê um teto de 15% de direitos aduaneiros.
Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, que possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
