
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez
Foto: Marcelo García / AFP
A presidente interina da Venezuela disse esta sexta-feira que 626 pessoas foram libertadas no país e anunciou que vai contactar o gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas, Volker Türk, para que verifique a lista dos libertados.
"Até hoje, 626 pessoas privadas de liberdade já foram libertadas", afirmou Delcy Rodríguez, durante uma reunião com parte do seu gabinete e representantes da sociedade civil no palácio presidencial de Miraflores.
O anúncio foi feito num momento em que têm havido várias denúncias de familiares e ONGs contra o processo de libertação anunciado em 8 de janeiro pelo seu irmão e presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, que Delcy Rodriguez rejeitou.
"Há setores antipolíticos que não compreenderam o momento, há setores que persistem em manipular e manobrar números através da mentira", acrescentou a presidente interina.
Nesse sentido, anunciou que na segunda-feira falará por telefone com Türk para lhe pedir que verifique, através do seu gabinete, "as listas de libertados na Venezuela".
"Chega de mentiras, chega de mentir ao povo venezuelano, isso nos levou a um custo altíssimo para as crianças, para os meninos, para a nossa juventude, para aqueles que tiveram que sofrer o horror de uma agressão militar", sublinhou Rodríguez, referindo-se ao ataque dos EUA, no último dia 3 de janeiro, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores.
Rodríguez também pediu "responsabilidade" no exercício da política.
A presidente interina propôs também nesta sexta-feira a convocação de um "verdadeiro diálogo político" que inclua tanto setores políticos "concordantes" quanto "divergentes", tarefa que confiou ao seu irmão e presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez.
"Quero exortar o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, (...) a convocar imediatamente uma reunião com todos os setores políticos do país", afirmou Rodríguez durante a instalação do Programa para a convivência e a paz, um ato transmitido pelo canal estatal Venezolana de Televisión (VTV).
Além disso, pediu que esse diálogo tenha "resultados concretos e imediatos" e que seja venezuelano, ou seja, que "não sejam mais impostas ordens externas, nem de Washington, nem de Bogotá, nem de Madrid", frisou.
"É o que o país pede, que seja para o bem comum da Venezuela", acrescentou a presidente interina, que assumiu o cargo após a captura de Nicolás Maduro em Caracas, no passado dia 3 de janeiro, pelos EUA.
Delcy Rodríguez enquadrou esta tarefa no Programa para a convivência e a paz, que será coordenado, segundo ela, pelo ministro da Cultura venezuelano, Ernesto Villegas, e será integrado por vários funcionários do país, bem como por empresários e académicos, embora tenha afirmado que a lista não estava fechada.
O presidente do Parlamento anunciou há duas semanas um processo de libertação de "um número significativo" de pessoas, sem detalhar identidades ou o total de beneficiados. Dias depois, disponibilizou as listas dos libertados, mas até à data elas não foram divulgadas.
Após o anúncio, dezenas de familiares se aglomeraram do lado de fora dos centros de detenção para pedir informações sobre seus entes queridos, enquanto ONGs denunciaram atrasos e opacidade no processo.
A ONG Foro Penal e a opositora Plataforma Unitaria Democrática (PUD) falam de entre 154 e 170 libertados, respectivamente, desde 08 de janeiro passado.
Nesta sexta-feira, a ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) indicou que as autoridades libertaram pessoas cujos casos «não eram públicos».
Segundo o Foro Penal, faltam 780 presos para serem libertados, enquanto a PUD estima que haja mais de 942 presos.
