
Salvador Illa venceu as eleições mas não deverá conseguir formar Governo na Catalunha
EPA/Toni Albir
Os efeitos da pandemia de covid-19 não passaram fatura ao independentismo, que logrou manter a hegemonia na região espanhola da Catalunha, após conseguir a maioria absoluta nas eleições autonómicas de domingo, realizadas sob estritas medidas de segurança. Apesar do domínio geral dos partidos soberanistas, o ex-ministro da Saúde, Salvador Illa, do Partido Socialista da Catalunha (PSC), foi o verdadeiro vencedor do escrutínio, confirmando a mudança do cenário político que a sua candidatura provocou.
Segundo as sondagens à boca das urnas, o socialista foi o mais votado (22,7%, que lhe garantirá 34 a 36 lugares no Parlamento, num total de 135), mas poderá não ser investido como presidente da Generalitat, devido à coligação separatista, tal como aconteceu em 2017, quando a candidata do Ciudadanos (direita liberal), Inês Arrimadas, venceu.
Assim, segundo as projeções, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, independentista), mesmo sendo o segundo partido mais votado, será o primeiro em termos de representação na assembleia regional, com 36 a 38 assentos.
O terceiro partido mais votado foi o Juntos pela Catalunha (JxC, independentista), do antigo presidente Carles Puigdemont, exilado na Bélgica, que poderá obter entre 30 e 33 dos deputados.
Equivale isto a dizer que a batalha para liderar o independentismo foi ganha por Pere Aragonés, da ERC, que superou a candidata do JxC, Laura Borrás.
A vitória da ERC poderá trazer avanços próximos na causa soberanista, como a concessão dos indultos aos presos políticos por sedição e também a recuperação das negociações com o Governo central, que só conheceram uma reunião.
Os partidos independentistas conseguem, assim, segundo aquela sondagem, obter uma maioria de mais de 68 representantes na assembleia regional, podendo manter a liderança do Governo, se conseguirem negociar um pacto entre eles, pois as divisões acentuaram-se depois da tentativa falhada de independência da região em 2017.
Vox entra no parlamento
O PSC, que se apresentou com uma atitude conciliadora, parece ter beneficiado do voto útil dos eleitores constitucionalistas (pela unidade de Espanha), o que já tinha acontecido com o Ciudadanos há quatro anos.
Na luta para liderar a direita na Catalunha, o VOX conseguiu entrar pela primeira vez no Parlamento, ultrapassando o Partido Popular, que continua em queda livre. O partido de extrema direita, que foi alvo, durante a campanha, de atos de violência nos comícios, afirma-se cada vez mais como a alternativa ao PSC.
Outro que confirmou o fracasso eleitoral foi o Ciudadanos, que passou de ser o partido mais votado a um ator político quase sem influência no Parlamento regional.
A consulta eleitoral teve lugar num contexto de forte aumento dos casos de covid-19, depois da época do Natal, que ajudaram ao aumento da abstenção.
Ainda assim, os medos iniciais da jornada eleitoral dissiparam-se quando o Governo autonómico confirmou que todas as mesas eleitorais estavam disponíveis, apesar das 34 mil alegações apresentadas pelos convocados para não se apresentarem nos colégios.
Por outro lado, todos os partidos políticos tinham alertado, durante a campanha, para a necessidade de se votar para decidir o futuro próximo da Catalunha, mas o medo de contágio e o voto por correio, que cresceu 350%, provocaram uma descida de 22 pontos na participação, em comparação com 2017.
